Projeto de sargento de Franca acolhe policiais aposentados e esposas viúvas
O sargento PM reformado Marcelo Mambrini resolveu transformar em prática aquilo que sempre idealizou: dar amparo e acolhimento aos policiais militares aposentados e às viúvas dos ex-companheiros de corporação. Para rea esse trabalho, Mambrini criou a Cappove (Casa de Apoio ao policial veterano).
O trabalho que teve início há duas décadas começou de maneira silenciosa pelo ex-sargento. Mambrini começou com visitas às casas dos companheiros já aposentados da corporação. Com o tempo, a ideia foi ganhando força e hoje possui até uma casa que leva na fachada uma adaptação do brasão da PM, com os letreiros “Casa do Policial Veterano”.
Hoje, a Cappove consiste em, muito mais que apoio financeiro, trazer também o acolhimento emocional aos soldados e às famílias, como bem explica Mambrini ao falar da Cappove. “ O projeto consiste em dar a mínima atenção possível aos policiais aposentados, muitos deles adoecidos e reclusos em suas casas. As pensionistas, que são as viúvas, estas sim foram alijadas do contexto, mesmo depois de cuidarem dos maridos durante a vida toda lavando e passando a farda e até engraxando os coturnos”.
Na fala de Mambrini, além da preocupação com os companheiros hoje aposentados, o Sargento também mostra indignação com o descaso que o sistema mostra com as mulheres que perderam seus maridos, que, segundo ele, contribuíram indiretamente para a corporação. “Estas mulheres guerreiras que suportaram noites e noites sozinhas com os filhos devido seus maridos, policiais militares, estarem “tirando a zero hora” (trabalhar a noite toda). Infelizmente, ambas as situações não têm a atenção merecida, ou seja, a Instituição e também as Associações poderiam fazer muito mais, pois o policial militar, por força do dia-a-dia de trabalho, acabou tendo que viver e conviver com toda sorte de mazelas. Até Ambulância eu comprei”, desabafa Mambrini.
A dinâmica da Cappove de apoio às famílias e aos veteranos é se colocar à disposição em eventuais necessidades que eles enfrentem, seja financeira ou emocional, com o intuito de fortalecer o elo de companheiros e ex-companheiros.
O início
Tudo começou quando Mambrini notou alguns problemas na qualidade de vida dessas pessoas. “A Cappove é um projeto que nasceu após percebermos que alguns policiais aposentados estavam passando por problemas de saúde e praticamente nenhum dos amigos tinha conhecimento. “Recentemente, por exemplo, um dos nossos veteranos passou por problemas graves de saúde e praticamente ninguém ficou sabendo”, diz Mambrini. Nesse caso, o sargento buscou a família tão logo soube da história. O policial veterano estava internado e muito debilitado. Mambrini o visitou no leito do hospital. Pouco tempo depois ele faleceu.
O Sargento conta que o começo não foi fácil e teve de custear as despesas do seu próprio bolso, além de contar com a ajuda de colegas de corporação. “Nos primeiros dois meses de trabalho as despesas da Cappove foram pagas com meus próprios recursos. Aluguel, água e luz, tudo ficava em torno de R$1.500, mas a partir do 3° mês as colaborações começaram a acontecer voluntariamente e foram ajudando.”
“Agora, estamos providenciando as formalidades legais para termos condições de implementar eventuais parcerias com empresas e prestadores de serviços com os quais poderemos efetuar parcerias de trabalho”, diz. De acordo com ele, a sede da Casa irá oferecer sala de reuniões, sala de entretenimento, barbearia, manicure, alojamento e um veículo como ambulância.
Para colaborar no projeto, não é necessário fazer parte da corporação.. A Cappove fica na Rua Diogo Feijó 2671, na Vila Nicácio, em Franca.








