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Escolha suas armas

A nossa é a poesia!

É difícil não falar de lutas, em tempos de guerras. É mais difícil ainda, falar de poesia. Da poesia que une e liberta correntes, que faz enxergar além das fronteiras impostas pelo dito certo ou errado. 

Tudo se constrói no pensamento, para em seguida ganhar corpo e agregar parcerias e cumplicidade, numa revolução silenciosa. Poetas são loucos! Dizem. Pode ser!  Santa loucura, que deseja sempre construir uma nova realidade, que vivem no linear de tempos caducos, resistentes a mudanças e o horizonte desejado.

O Projeto Pão e Poesia comunga e agrega essa vontade de ganhar vida, invadir casas e mesas numa manhã qualquer, numa família qualquer, numa padaria qualquer de qualquer esquina.

A mineirice do projeto, tem sua origem em Belo Horizonte, idealizado  pelo poeta mineiro Diovvani Mendonça e implantado em Franca, por nós, nos anos de 2011, 2019 e 2022 com o apoio da Prefeitura Municipal de Franca e Feac, através da Bolsa Cultura.

Nasceu assim, invasor! Invadindo desde 2011 os lares francanos. De maneiras diferentes, com roupagem própria e inovando sempre.  

No decorrer dessas três edições, o Projeto Pão e Poesia confeccionou e distribuiu quase 100 mil embalagens para pães, com impressão  poética e artística de poetas francanos. A primeira edição, lançada em 2011, trouxe poemas de escritores ilustres e conhecidos da comunidade,  Luiz Cruz, Regina Bastianini, Sônia Machiavelli, Maria Luiza Salomão, Cirlene de Pádua, Walter Chimelo e Eduardo Nascimento. Foram 07 poetas convidados e a capa estampada com a tela de Maria Aparecida Motta, existente no acervo da Pinacoteca Municipal.

Em 2019 o Pão e Poesia ganhou as escolas, numa versão grandiosa, compartilhada pela parceria de jovens talentos da cidade. A equipe comandada pela arquiteta e produtora Rebeca Amorim foi composta por músicos, fotógrafos e  professores, formando uma equipe multidisciplinar que fez o diferencial na descoberta da visão poética que o projeto desejava.  

Foram contempladas 09 escolas do município, num total de 360 alunos de 3º e 4º anos do ensino fundamental. As oficinas de criação poética e de desenho resultaram numa considerável manifestação artística e poética inesperada. As embalagens foram ilustradas com desenhos dos alunos e no verso os poemas criados por eles.

Veio a pandemia, com ela novas maneiras de dizer que o mundo necessita de novos olhares, de novas armas para chegar até a mesa de cada um de nós. Seria preciso juntar a palavra ao alimento, poesia a esperança, rimas e versos a luta contínua das mulheres por um mundo mais sereno e digno para todos.

Nasceu aí mais uma parceria. Dessa vez com outro projeto já existente em Franca, o “Elas na cena – Mulheres que fazem poesia”. Mais um vez, com o comado de Rebeca Amorim, apoio incondicional de Maria Luiza Salomão na análise dos textos e Josiana Martins, com participação especial. Foi criado um concurso de poesia só para mulheres, promovendo inclusão e abrangendo todas num movimento poético e de luta, agregando diversas visões e vivências de amor, igualdade e resistência.

Nessa edição as embalagens foram ilustradas por várias casinhas, todas juntinhas num abraço  a nos dizer que precisamos resistir, permanecer unidos, cultivar no quintal da alma, uma mudinha qualquer de esperança, rega-la com um olhar diferente daquele que nos apequena e impede a crença de dias melhores. 

Continuaremos a esparramar poesia, na certeza de que iremos colher poesia, alimentar sonhos e saciar a fome de pão e de arte.

Nossa arma é a poesia!

Perpétua Amorim

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