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Portadora de deficiência auditiva só descobriu gravidez quando estava prestes a dar à luz sua bebê

26 de setembro é o Dia Nacional do Surdo, a data serve para relembrar, a toda a sociedade, a luta da comunidade surda brasileira por direitos e inclusão. O mês, aliás, é chamado de Setembro Azul: um período dedicado à conscientização sobre as conquistas da comunidade surda e o quão urgente e indispensável é a ampliação da acessibilidade. Para marcar a data, a Folha de Franca traz a história de Luciane Barbosa, que é portadora de deficiência auditiva, e aos 27 anos descobriu uma gravidez quando já estava na 37ª semana, ou seja, com mais de 8 meses de gestação.

A história comovente chamou a atenção dos funcionários da Apada (Associação de Pais e Amigos de Deficiente Auditivo) de Franca. Luciane teve a gravidez descoberta por uma amiga, após 37 semanas de gestação. Luciane é casada com Helton Silva, também deficiente auditivo. O casal seguia normalmente sua vida. Helton é funcionário de uma empresa há 10 anos e ela é dona de casa. Os dois vivem juntos há 2 anos. Há alguns dias eles receberam a visita de uma amiga que é funcionária da Associação.

Notando que o corpo de Luciane apresentava mudanças, a amiga recomendou que Luciane fizesse um ultrassom. No exame, a constatação: uma gestação de mais de 8 meses. Com menos de um mês para o nascimento da criança, a Apada encaminhou uma profissional para acompanhar a gestante em todos os exames e procedimentos de urgência, em um pré-natal para lá de atrasado.

Essa missão coube a Izabel Alves de Souza, que monitorou o casal durante as semanas finais de gestação. Izabel, intérprete de Libras, esteve com Luciane em todas as consultas na UBS, onde foi preciso realizar uma bateria de exames e vacinas com urgência. Ela conta que a descoberta tardia trouxe algumas complicações. “A clínica me recomendou levá-la para fazer um pré-natal o mais rápido possível, faltando poucas semanas para o parto, a criança estava em má posição na barriga”, disse Izabel.

O parto foi realizado na sexta-feira, dia 16. Luciane se recuperou bem e não sofreu nenhuma complicação devido ao procedimento. A bebezinha, que leva o nome da mãe, apresentou uma complicação no funcionamento pulmonar e ficou em observação até hoje, quando recebeu liberação para ir para casa. Felizes, os papais de Luciane estão também agradecidos pelo carinho, atenção e acolhimento que receberam. Izabel também comemora o final feliz. “Nós, da Apada, ficamos felizes em ajudar. Essa história mostra como é importante garantir que os portadores de deficiência tenham seus direitos preservados que incluem, inclusive, uma pessoa que fale libras para poder atuar como intérprete”, disse ela.

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