Quando o amor é mais forte que o trovão

Por Jota Silvestre
Folha de Franca assistiu antes à mais nova superprodução da Marvel Studios, Thor: Amor e Trovão, e traz as primeiras impressões a seus leitores
De início, é importante ressaltar que Thor: Amor e Trovão, que tem pré-estreia nos cinemas de Franca a partir de amanhã (quarta-feira, dia 6), representa um marco importante no Universo Cinematográfico da Marvel desde sua inauguração há mais de uma década. Thor é o primeiro herói do estúdio a chegar à marca de quarto filme solo, um feito não conquistado nem por seus colegas mais populares, como Homem de Ferro, Capitão América e Homem-Aranha.
O Deus do Trovão (Chris Hemsworth) começa esta nova aventura, a segunda sob comando do diretor Taika Waititi (que também dirigiu Thor: Ragnarok em 2017), numa busca pessoal por seu lugar no universo. As numerosas batalhas em que se envolve na companhia dos Guardiões da Galáxia funcionam como uma fuga para a solidão e o calvário percorreu nos últimos anos: a morte da mãe Frigga e do pai Odin, do irmão Loki, de seu planeta Asgard e de vários amigos, e a separação do amor de sua vida, a astrofísica terráquea Jane Foster (Natalie Portman).
Este precioso recesso é interrompido pelo surgimento de Gorr (Christian Bale), habitante de um planeta devastado pela miséria e que se volta contra os deuses de sua adoração quando é confrontado com o caráter vil destes seres poderosos. Munido de um forte sentimento de vingança e de uma poderosa arma, Gorr assume a missão de eliminar todos os panteões existentes e não à toa passa a ser conhecido como Carniceiro dos Deuses.
Uma deusa entre nós
Nesse meio tempo, Jane tem suas próprias preocupações e por meio de uma série de acontecimentos toma posse do Mjolnir, o poderoso martelo de Thor destruído pela deusa da morte Hela (Cate Blanchett) em Ragnarok. A ameaça encarnada por Gorr une os ex-amantes, agora aliados guerreiros, e seus companheiros Valquíria (Tessa Thompson) e Korg (interpretado pelo próprio Waititi), que buscam auxílio inclusive nos deuses de outras mitologias, como o grego Zeus (Russell Crowe).
A transformação de Jane Foster na Poderosa Thor se deu na aclamada fase publicada nos quadrinhos entre 2014 e 2019 nos Estados Unidos (essas revistas saíram no Brasil pela editora Panini). O roteiro assinado por Waititi e Jennifer Kaytin Robinson faz uma adaptação bastante fiel e respeitosa dessa fase, o que deve agradar os leitores habituais de HQs de super-heróis. Para a parte da audiência não-leitora, Thor: Amor e Trovão é um filme repleto de humor, romance e aventura.
Ainda que no início da “carreira” heroica, Jane se prova uma guerreira hábil e corajosa.
Ter uma mulher no papel do Deus do Trovão, tanto nos quadrinhos quanto no cinema, é antes de tudo uma questão de empoderamento, ao demonstrar que elas são capazes de desenvolver as mesmas funções tão bem ou melhor que os homens. Mas também carrega uma gama de sentimentos que o filho de Odin havia enterrado em sua alma para escapar da dor.
No final, são esses sentimentos que garantem a vitória, pois o próprio Gorr é forçado a reconhecer que por baixo do manto da vingança jaz um ato de amor. Por mais espetaculares que sejam os poderes dos contendores, o amor se prova mais forte que o trovão. Alguns expectadores sairão do cinema com a impressão de que Waititiexagera nas piadas; outros, que ele acertou a mão mais uma vez e que Chris Hemsworth mostra seu melhor em papéis humorísticos. Qualquer que seja o veredito e o nível de conhecimento das histórias em quadrinhos por parte da audiência, Thor: Amor e Trovão merece ser visto.







