Vereadores podem abrir CEAR para avaliar sistema que regula vagas de internações em Franca
Uma Moção de Repúdio de autoria do vereador Zezinho Cabeleireiro (PP) e proposta contra o Sistema Cross do Estado, à Santa Casa de Misericórdia de Franca e ao Departamento Regional de Saúde VIII (DRS VIII) abriu uma discussão acalorada entre os vereadores da Câmara Municipal de Franca na tarde desta terça-feira, 3. A matéria recebeu comentários da maioria dos vereadores que se disseram cobrados pelos usuários do Sistema de Saúde indignados com o descaso das autoridades quanto a uma solução sobre o assunto.
Ao final da discussão, os vereadores votaram a proposta do vereador Gilson Pelizaro (PT) de adiar a matéria por três sessões. O vereador Marcelo Tidy (União), presidente da Comissão em Saúde da Câmara, afirmou que vai aproveitar o adiamento da matéria para consultar o departamento jurídico da Casa sobre a possibilidade de se instaurar uma Comissão Especial de Assuntos Relevantes (CEAR) para tratar do assunto.
A reclamação generalizada de pacientes por conta da demora na espera por uma vaga de internação em macas nos Pronto-Socorros e UPAs tem colocado as autoridades contra a parede com bastante frequência e o sistema Cross (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde) em xeque. Responsável pela distribuição de vagas de internação em Franca, o Cross está sob a responsabilidade do Estado. É de lá que sai a autorização de transferência de pacientes das UPAs ou do Pronto-Socorro “Dr. Álvaro Azzuz” para o Grupo Santa Casa de Franca ou, quando não há, para unidades do Estado na região. Porém, a demora de até 5 dias para a liberação preocupa parentes dos pacientes.
Em matéria publicada no dia 13 de abril pela Folha de Franca, pacientes aguardavam pelo terceiro dia consecutivo a abertura de vaga, mesmo com encaminhamento do médico. Em um dos casos, Eliane Cristina Rizi, 47, estava com uma ferida no estômago, e precisava de cirurgia urgente. Dependente da alimentação por sonda, pois Eliane também tem uma obstrução no esôfago, a cabeleireira aguardou por três dias a transferência e nada. Sua família acabou desistindo de esperar e tirou Eliane do PS, pensando em tratá-la em hospital particular. Porém, o alto custo de uma vaga na rede privada fez com que eles desistissem. Eliane perdeu a vaga na fila de espera para a transferência, porém após a reportagem ela foi chamada pela Santa Casa, segundo uma amiga.
Adiamento
Durante a apresentação da Moção de Repúdio no plenário, o autor Zezinho Cabeleireiro (PP) criticou o tratamento do Estado dispensado à Saúde do município. “O Governo do Estado, que comanda as internações, cirurgias eletivas e a nossa população vem sofrendo há muito tempo. Essa moção não se refere aos funcionários da Santa Casa, mas ao sistema Cross”, disse.
Se a Câmara aprovar a Cear, os vereadores esperam convocar os responsáveis pela Diretoria Regional de Saúde (DRS), Santa Casa de Franca e a Secretaria de Saúde para debater o tema e cobrar responsabilidades.







