Opiniões

Quem chega mais longe na estrada do sucesso, especialistas ou generalistas?

No mundo atual, muito tem se falado em aprendizado e conhecimento especializado, cada dia mais os profissionais buscam se aprofundar em temas e se especializar mais e mais na intenção de mais desempenho em suas funções e na evolução de carreira.

Uma questão muito discutida no ambiente de desenvolvimento pessoal é: quem consegue tomar melhores decisões? Um especialista focado e desenvolvido em um tema especifico ou um generalista que conhece “de tudo um pouco”?

Podemos afirmar que muitas posições passam muita credibilidade quando a pessoa se valida como especialista, mas, porque as vezes quando testadas opiniões entre um “especialista” que estuda muito o tema e um generalista, como por exemplo um motorista de taxi que fala um pouco sobre muitos assuntos com muitas pessoas, a sugestão do taxista resolve mais o problema que a sugestão do especialista?

Se pararmos para pensar, existem cenários em que isso ocorre em virtude da falta de amplitude na visão do profissional. Hoje é muito nítido que em nossas vidas vários aspectos conversam entre si nos aspectos pessoais, profissionais, teoria, prática, exatas, humanas, matemática, funcionamento fisiológico do cérebro, função dos micronutrientes dentre muitas outras. E em alguns casos, o fato de alguém estar ao menos ciente dos diversos aspectos nesse sentido faz com que tome melhores decisões do que uma pessoa especialista, que pode estar muito focada num único tema, que consome a grande maioria de seu tempo estudando o mesmo assunto e desta forma, quanto mais ela sabe de uma coisa menos ela sabe de todo o restante das coisas no mundo.

O conhecimento possui 4 fases de consciência e execução na vida das pessoas. A primeira é a conhecida como “inconsciente incompetente”, imagine um bebê recém-nascido, ele nem sabe que não sabe andar, mas ao ver pessoas andando, ele se inspira e tenta andar. Ao tentar andar, o bebê passa para a segunda fase, a fase do “consciente incompetente”, em que ele passa a ter ciência de que não sabe algo. Sabendo que não sabe, ele passa a treinar, tentar, cair até conseguir andar se apoiando e se esforçando, passando assim para a terceira fase, a fase do “consciente competente”, que é quando o bebê sabe que sabe andar, mas precisa se concentrar para conseguir.

A última e mais difícil de se chegar é a quarta fase, a fase do “inconsciente competente”, fase na qual o bebê já andou tanto conscientemente que o faz automaticamente e inconscientemente. A quarta fase é quando alguém que já dirige pega o carro e se desloca até seu destino e não precisa pensar conscientemente para ligar o carro, trocar as marchas, controlar a embreagem, tudo acontece automaticamente. Tudo isso podemos associar à capacidade de tomar decisões, você não precisa estar na fase de maestria de “inconsciente competemte”, mas sabendo apenas que não sabe algo, já consegue tomar decisões muito melhores do que quem nem sabe que não sabe algo.

Se é melhor ser especialista ou generalista, cabe a cada um refletir e definir, mas, uma coisa não podemos negar: sempre que escutarmos a famosa frase de Sócrates “Só sei que nada sei”, recordaremos que “não saber” algo é tão rico e valioso como “saber” algo.

Plínio Reis

É administrador de empresas formado pelo UniFacef, é especialista tributário há mais de 10 anos, tendo atuado nas maiores consultorias tributárias do mundo. É francano e mora em São Paulo, onde é CEO na Bart Gestão Tributária

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