Fora do Censo

Viu o ser invisível
Que está nos cruzamentos.
O vidro fechado, inacessível,
Na parada de momentos.
Deu tempo de ver, na espera,
Da abertura do farol,
Sinais de um deus, da era,
Subindo ao lado, em caracol.
Esforçou-se pra ler o cartaz
Todo escrito, de papelão.
Falava de fome voraz.
Devia aceitar algum tostão.
O semáforo abriria, indiferente.
A pedinte, de todo magricela,
Consumida nas ruas, seria gente?
Deu de pegar algo pela janela.
Antes do verde, pintou o amarelo.
Tinha que ir no movimento.
Viu a doação, do carro paralelo,
De pão do viciado por encantamento.
Quem esperava poder comer
Agora podia sorrir ao fumar.
Recebeu aceso; custou a entender
A testemunha de como matar!
Precisava chegar no culto.
A noite era escura, a cena mais.
Acelerou, para se livrar do vulto,
A bituca no asfalto choraria seus ais.







