ColunasInspirados

Fora do Censo

Viu o ser invisível

Que está nos cruzamentos.

O vidro fechado, inacessível,

Na parada de momentos.

Deu tempo de ver, na espera,

Da abertura do farol,

Sinais de um deus, da era,

Subindo ao lado, em caracol.

Esforçou-se pra ler o cartaz

Todo escrito, de papelão.

Falava de fome voraz.

Devia aceitar algum tostão.

O semáforo abriria, indiferente.

A pedinte, de todo magricela,

Consumida nas ruas, seria gente?

Deu de pegar algo pela janela.

Antes do verde, pintou o amarelo.

Tinha que ir no movimento.

Viu a doação, do carro paralelo,

De pão do viciado por encantamento.

Quem esperava poder comer

Agora podia sorrir ao fumar.

Recebeu aceso; custou a entender

A testemunha de como matar!

Precisava chegar no culto.

A noite era escura, a cena mais.

Acelerou, para se livrar do vulto,

A bituca no asfalto choraria seus ais.

Dr. Theo Maia

Advogado Previdenciarista (OAB-SP 16.220); sócio-administrador da Théo Maia Advogados Associados; jornalista; influenciador social; diretor do Portal Notícias de Franca; bacharel em Teologia da Bíblia; servo do Senhor.

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