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O desenvolvimento emocional é um processo ordenado. Ainda bem.

Emoções e ações complexas, como a mentira, desdobram-se de outras mais simples.

É possível notar em um bebê sinais de alegria e prazer, interesse em alguma coisa ou em algo e até mesmo a aflição. Esses sinais são respostas reflexas, a maior parte, fisiológicas, à estimulação sensorial ou a processos internos.

Em torno dos próximos seis meses de vida após o nascimento, esses estados emocionais iniciais se diferenciam em verdadeiras emoções: alegria, surpresa, tristeza, repugnância, e depois raiva e medo (por “perder a mãe” que antes julgava ser apenas do bebê), reações a eventos que têm significado para o bebê, ou seja, essas emoções básicas estão relacionadas com à maturação neurológica.

Lá pelos quinze a vinte e quatro meses, a criança desenvolve a autoconsciência, que é a compreensão cognitiva de que ela tem uma identidade reconhecível, separada e diferente do resto de seu mundo. Com isso, ela é capaz de sentir as chamadas emoções autoconscientes, que são o constrangimento, a empatia e a inveja.

Por volta dos seus dezoito aos vinte e quatro meses, as crianças já podem representar eventos mentalmente. Não estão mais limitadas à tentativa e erro para resolver problemas. O pensamento simbólico permite pensar sobre eventos e antecipar suas consequências, sem precisar recorrer sempre à ação. Elas começam a demonstrar insights. Sabem usar símbolos como gestos e palavras, sabem fingir, são capazes de imitar para agradar o outro. É o que acontece, em suas gracinhas, quando um adulto começa a tossir e a criança reproduz o mesmo som, causando surpresa e risos nos adultos.

Em torno dos três anos, o bebê, tendo adquirido autoconsciência e mais algum conhecimento sobre os padrões, regras e metas aceitas de sua sociedade, torna-se mais capacitada para avaliar seus próprios pensamentos, planos, desejos e comportamento com relação àquilo que é considerado socialmente apropriado. Passa, então, a poder demonstrar emoções autoavaliadoras, qual o orgulho, a culpa e a vergonha.

Todos esses marcos do desenvolvimento evidenciam que a autoconsciência e a compreensão de que os outros podem pensar coisas, que você sabe não serem verdadeiras, estão relacionadas a outro marco do desenvolvimento: mentir.   Embora, geralmente, não pensemos nisso como tal, a mentira é, na verdade, uma profunda realização do desenvolvimento.

A mentira é o ato ou efeito de mentir, enganar, falsidade, fraude. É um dispositivo que usamos para evitar conflitos, a curto prazo; para ser beneficiada (o) em alguma coisa, ou até mesmo para criar conflitos entre terceiros. Entretanto, lembremo-nos de que a verdade é uma só, hoje, amanhã, semana que vem, daqui um ano, daqui trinta, cinco anos … Já a mentira não, porque nos esquecemos o que dissemos pelo fato de não ser verdade e acabamos tendo que inventar outra história para manter a mentira inicial.

Topa um quiz?

-Você tem o hábito de mentir?

-Compartilha sem apurar a veracidade dos fatos?

-O que o motiva a mentir?

-Qual é o ganho que você tem com isso?

-Quais sentimentos e emoções o impulsionam a mentir (felicidade, prazer, realização orgulho, culpa, vergonha)?

-As suas mentiras estão comprometendo as suas relações? Traz consequências sérias?

Se você respondeu SIM para as perguntas acima, deve estar se questionando: mas como saber se devo buscar ajuda psicológica?

Tendo esse hábito de mentir tomado proporção muito grande, chegará o momento que você vai perder o controle, passando a inventar mais histórias para cobrir a primeira mentira; e vai envolvendo outras pessoas. Pare de se enrolar e envolver quem não tem nada a ver com a sua insinceridade. É hora de correr atrás de ajuda para compreender quais emoções motivaram a primeira mentira e o ganho secundário que você teve com ela. E teve?

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