InspiradosLocal
Luminar
A beleza do olhar dela
Atravessou a pesada janela
Depois de vencer uma tela
Furou a noite a sua vela.
Veja que nem é primavera
Não há qual mais impera!
O calorão da tarde, já era.
A chuva quebrara a espera.
O nariz devia estar entupido.
A boca aberta, com o seu alarido,
Acordou-o, do ronco, todo perdido,
Correu para ela, emudecido.
O rosto, nos vãos da neblina,
Era recato de lirismo na surdina.
Fosse mocinha, madura, menina
Amá-lo-ia mulher, menos messalina!
Vá, vá mexer com astro,
Fingir-se mármore, se é alabastro!
Os pés da manhã cobriram seu rastro.
Turrona, não recua, é lua, é castro.
Théo Maia







