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Músico francano lança disco em Londres; álbum mescla influências brasileiras e inglesas

“Tocaya” é o primeiro disco do músico, cantor e compositor Nicola Lemos. O álbum chegou às plataformas digitais em setembro e foi produzido pelo próprio artista em seu home studio, em Londres, com masterização de Otávio Carvalho, indicado três vezes ao Grammy Latino.

Nicola Lemos é francano e viveu em Franca até os 18 anos de idade. Foi aqui, na Terra das 3 colinas, que ele começou a desenvolver seu talento pela música, talento esse que o levou a romper fronteiras.

Ainda muito jovem, decidiu mudar-se para a Inglaterra, para ter uma nova experiência de vida, poder estudar a língua estrangeira, poder trabalhar em diferentes lugares e conhecer mais pessoas. “Acabei, no fim, realizando o sonho de estudar música o que acabou sendo a maior realização. Hoje trabalho na indústria musical daqui”, disse Nicola que, em Franca, estudou na Toulouse Lautrec, na Homero Alves, na Torquato Caleiro e fez curso de música na Escola Sitoque.

“Com exceção de uma música, todo o disco foi gravado, mixado e produzido em casa, sem acústica adequada e com equipamentos simples. Acabei fazendo quase tudo por mim mesmo. Apesar da dificuldade e da minha limitação técnica, foi muito prazeroso trabalhar sem pressão e poder dar um tempo natural às músicas. Isso trouxe um tom mais orgânico e artesanal para o disco, o que, na minha visão, se casa com a essência e as mensagens sonoras e literárias das canções”, explica Nicola, que aprendeu a se virar desde muito cedo. Quando adolescente, atuou como promotor e assistente de vendas no Magazine Luiza; trabalhou nas feiras Francal e Couro Moda e, claro, exercendo o que mais amava, tocou em alguns bares da cidade.

Esse músico francano que já desponta na Europa,  conta que tem raízes muito fortes em Franca. “Tenho muita sorte de ter muitos amigos e uma família grande que é bem próxima. Mantenho o contato com todos, mesmo de longe. E sempre tendo a voltar uma vez por ano para matar a saudade. É sempre uma festa!”, disse ele. “Tenho também uma banda com 3 amigos de Franca que chama Cohiba, e que completará 10 anos de existência ano que vem. Marca essa, que coincidirá com o lançamento do nosso primeiro disco”, disse ele.

Conheça um pouco mais sobre o trabalho desse artista francano vem escrevendo de maneira bonita a sua história no mundo da música.

O álbum

O álbum “Tocaya” reflete as influências do Brasil – estão ali o afoxé, o samba e a música baiana – e as referências adquiridas nos 7 anos vividos na Europa, especialmente o folk e o rock. Nicola inclusive acaba de se formar na Goldsmiths University – uma das mais importantes faculdades do Reino Unido.


Participações (de pessoas) especiais

Compositor prolífico – em 2019, ele lançou o EP “Andejo” e é autor de duas músicas que a sua banda, Cohiba, soltou em 2020 – Nicola assina sozinho 7 das 10 faixas do disco. A sua versão para “Talismã”, clássico indie do grupo mineiro Graveola, é uma homenagem a uma geração de compositores –  GustavitoLuiz Gabriel LopesLuiza Brina – que exercem influência fundamental em sua trajetória.

“Caravana da Alegria” é uma parceria com Claudia Lemos e “Dias” é de autoria de Paulo Lemos. A recorrência do sobrenome familiar, aliás, é um aspecto importante do trabalho: em sua estreia fonográfica, Nicola faz questão de resgatar pessoas e lugares de fundamental importância em sua caminhada artística. Diversas participações especiais são, antes de tudo, pessoas especiais para ele.

“Existe aquele ditado chinês que diz ‘antes de iniciares a tarefa de mudar o mundo, dá três voltas na tua própria casa’. Esse disco representa isso: um começo de uma jornada, porém, um encontro comigo mesmo antes. A ideia é partir da raiz, da essência, como se eu tivesse arrumado as malas para embarcar numa viagem. E como essas pessoas são parte de mim, diretamente ou indiretamente, era como se eu as estivesse levando ou o que elas representam comigo, juntando o necessário para partir em frente”, reflete.

Esta atmosfera memorialística também aparece nas letras que tentam dar conta da estranha e bela sensação de pertencer a dois lugares, ou a lugar nenhum, como em “19 de abril” e “Meu Navegar”, dos versos “olha, eu não sou daqui / nem pretendi um dia ser/ eu fui andar pra saber até onde o corpo ia”. Para ele, “a ausência é um tema cada vez mais presente. Venho reparando o quão necessário e importante ela é para as nossas relações pessoais, profissionais e até mesmo no sentido mais geral, espiritual: o silêncio também é música, sem o espaço não existe a aproximação”.


A busca por uma sonoridade mais direta

Em termos sonoros, Nicola se mantém fiel à sonoridade mais clássica da MPB, com ênfase nos arranjos de violão e com generoso espaço para diversos instrumentos brilharem – da bateria à flauta, da guitarra ao saxofone. Ao mesmo tempo, ele atualiza esta estética trazendo elementos do folk e do rock, em uma mistura que ao mesmo tempo reverencia e reinventa, o que torna seu trabalho ser descendente de Gilberto GilOs Paralamas do Sucesso e do próprio Graveola.

“A única coisa que idealizei antes para o disco foi tentar ter uma identidade clara e bem definida ao todo. O meu maior gol seria fazer um disco daqueles que a gente deixa tocar enquanto fazemos as coisas do dia a dia, estamos cozinhando, dirigindo, dando uma caminhada ou tomando uma cerveja. Queria que tivesse nuances sim, mas que ele fluísse naturalmente”, relembra. 

Para alcançar este objetivo, era preciso não “arranjar demais” as canções, tentando manter o seu aspecto mais cru e, ao mesmo tempo, trazendo elementos que fortalecessem as faixas. “Tentei focar no que as canções pediam e também usar o violão como o elemento de referência, já que as canções vieram dele, fazendo com que a produção fosse apenas um complemento, um suporte à essência de cada canção e que cada uma fosse parte de uma viagem, de algo maior. Fazendo, assim, com que cada música entregasse algo a outra, e a outra para outra, e assim em diante…”.

Na era dos streamings e do público com paciência cada vez menor para escutar um disco inteiro, a decisão de lançar um álbum é, no mínimo, corajosa. Para Nicola, porém, o formato é, ao mesmo tempo, uma decisão natural e estratégica. “Penso que, caso eu lance um single a partir de agora, quem for visitar minha discografia vai se ligar que eu tenho uma obra mais real, algo mais consistente. Essa pessoa vai poder entender de forma muito mais clara e pura a minha identidade artística, minhas mensagens e minha essência. E também, claro, sempre fui fã do formato disco, acho que ele sempre diz mais do que uma música sozinha. Acredito muito na ideia de que uma música toma outra proporção, talvez bem mais real, quando é acompanhada por certas outras e que isso pode funcionar como um portal para algo muito mais interessante”.

Para ouvir Nicola Lemos, clique aqui

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