Casa cheia na estreia de “Ensaio para Antígona”: espetáculo sensorial segue neste fim de semana em Franca
O primeiro final de semana da temporada de Ensaio Para Antígona foi um sucesso: sexta e sábado dias 11 e 12, com casa cheia, e domingo com público acima da expectativa. A montagem da Cia. Antares, em parceria com o Instituto Práxis de Educação e Cultura (IPRA) e o Ateliê de Criação Lusco-Fusco, segue agora para sua segunda semana de apresentações, nesta sexta, sábado e domingo ( dias 18, 19 e 20 de setembro), sempre às 20h, no IPRA. A entrada é gratuita.
As primeiras sessões já renderam fortes impressões da plateia: “Foi incrível esse espetáculo! Fiquei arrepiada”, disse Renata Comparini. “Peça diferente de tudo que já vi”, comentou Maria Clara Gonçalves.
E não é por acaso: o espetáculo oferece a Franca uma experiência sensorial pouco comum. O cenário é atravessado por elementos naturais — terra, água e vento — que não se limitam a compor o ambiente, mas se tornam parte ativa da narrativa, intensificando sua potência simbólica. O espaço da apresentação deixa de ser apenas suporte e se converte em personagem, respirando junto com a cena. Nesse movimento, o público não permanece como observador distante: é envolvido pelos elementos, tornando-se parte da atmosfera criada, como se cada corpo presente fosse também matéria da encenação. Essa fusão entre ambiente, atores e plateia revela um diferencial que amplia a percepção estética e emocional da obra.
A encenação estabelece um diálogo vivo entre Antígona e o presente: a protagonista surge como figura que evidencia as rachaduras de um poder que insiste em transformar a lei em verdade incontestável. A tensão entre indivíduo e Estado, memória e esquecimento, ética e obediência permeia toda a proposta cênica.
O título já anuncia essa perspectiva. “Ensaio” não se refere a algo inacabado, mas a um gesto de aproximação, um pensamento em movimento. A montagem não busca uma definição definitiva para Antígona; prefere permanecer em constante conversa com ela, transformando cada imagem, silêncio ou ruptura em novas formas de questionamento.
Teatro e cinema em diálogo
A linguagem do espetáculo combina a proximidade física do teatro — o corpo presente, o detalhe, a respiração compartilhada — com a amplitude da imagem cinematográfica, que não aparece como mera ilustração, mas como camada adicional da cena, onde corpo e projeção coexistem.
A encenação também retoma a pesquisa da Cia. Antares sobre ocupação de espaços não convencionais: a arquitetura do IPRA, com seus vazios e marcas, integra a dramaturgia, conduzindo o público a uma experiência fragmentada e móvel, distante da frontalidade tradicional.
Um gesto de resistência
Para Mauro Júnior, idealizador do Ateliê de Criação – Estudo Sobre o Trágico e diretor da montagem, reunir artistas em um processo de doze meses em Franca é, por si só, uma afirmação: a de que percursos artísticos contínuos ainda podem existir, mesmo diante das barreiras que frequentemente os interrompem. Como ele escreve no programa: “Investigar teatro, hoje, é também um ato de resistência”, associando a permanência da pesquisa artística à força de Antígona.
Assinado por Mauro Júnior — responsável pela concepção, direção geral, dramaturgia, coordenação artístico-pedagógica, direção de produção, direção de arte, iluminação, caracterização, trilha sonora e operação técnica —, o espetáculo conta com coidealização e produção executiva de Gabriela da Mata e reúne em cena os atores Agatha Mourão, Aidê Iansã, Amelie Belle, Davi Silva, Emilly Cunha, Levi Lourenço, Lucas de Maman, Mih Souza, Rafael Elisio, Raira Gomes, Silvia Silva, Sky Gaspar, Tânia de Paula, Thais Ribeiro e Thales Simões.
E para mergulhar ainda mais nesse universo, vale assistir ao vídeo do ator Davi Silva, que fala de forma intensa e expressiva sobre o a terra e a água — elementos que atravessam a cena e tornam o espetáculo uma experiência única:
O processo de formação incluiu ainda workshops em parceria com o Sesc Franca: “A atualidade do clássico e a peça-filme”, com José Fernando Peixoto de Azevedo; “Corpo e voz na tragédia — uma poética da presença”, com Ana Carolina Salomão; e formação em produção cultural, com Rafael Ferro.
Além das apresentações, o projeto inclui a instalação Mulheres de Resistência, com exibição de documentário, nos dias 10, 17 e 24 de setembro, às 19h e 20h, no mesmo espaço, também com entrada gratuita. A mostra é fruto do Curso de Cinema Independente – 1ª edição, e amplia o diálogo de Ensaio Para Antígona para além do palco, conectando teatro, cinema, memória e artes visuais.
O projeto foi viabilizado pelo Edital de Fomento CultSP PNAB/Programa Nacional de Cultura Viva, em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.
Serviço]
- Ensaio Para Antígona
- Temporada: 11 a 27 de setembro
- Apresentações: sextas, sábados e domingos (11, 12, 13 / 18, 19, 20 / 25, 26, 27)
- Horário: 20h (Retirar o ingresso com até uma hora de antecedência)
- Local: Instituto Práxis de Educação e Cultura – IPRA Endereço: Rua Diogo Feijó, 1956 – Estação
- Entrada gratuita — convites retirados no local, com até 1h de antecedência








