Márcia Tiburi se emociona em encontro literário em Franca
Uma tarde de reflexão e aprendizado, com temas como fascismo, feminismo e identidade brasileira, marcada por emoção, diálogo aberto e participação do público

Durante sua apresentação em Franca, a escritora e filósofa Márcia Tiburi emocionou-se ao relatar a origem de seu livro Complexo de Vira-Lata, conectando memórias pessoais ao sentimento coletivo de humilhação vivido por muitos brasileiros. O encontro, realizado na Biblioteca Pública Municipal “Américo Maciel de Castro Júnior”, dentro do projeto Viagem Literária, reuniu dezenas de pessoas; em sua maioria estudantes da ESAC.
Também marcou presença um grupo de alunas do segundo ano da escola, acompanhadas pela professora Jéssica. O escritor José Lourenço, membro da Academia Francana de Letras também se fez presente nesta que foi uma tarde de reflexões intensas e trocas afetuosas.
Uma trajetória marcada pelos livros
Com simpatia e proximidade, Tiburi recebeu os fãs antes da palestra, autografou exemplares e compartilhou sua história de vida. Nascida em Vacaria, no Rio Grande do Sul, ela relembrou a infância em uma casa sem livros e o impacto transformador de conhecer a biblioteca escolar. “Tudo de bom que vivi até hoje veio dos livros”, afirmou, destacando como a leitura foi sua companhia diante das adversidades.
Reflexões sobre fascismo e feminismo
Ao comentar obras como Como conversar com um fascista, Tiburi fez uma análise sobre a origem do fascismo, sua permanência histórica e a ascensão do neofascismo no Brasil. Explicou como percebeu os sinais desse movimento ao estudar o tema em profundidade, alertando para seus impactos sociais e políticos.
Já ao falar de Ninfa morta, abordou o feminismo e a violência contra mulheres, denunciando o ódio misógino presente em grupos como os red pills e os incels. A escritora aconselhou jovens a reconhecer e evitar discursos que reforçam o sistema patriarcal, defendendo a importância da educação crítica para romper ciclos de opressão.
Emoção com o “Complexo de Vira-Lata”
Um dos momentos mais tocantes foi quando Tiburi falou sobre o livro Complexo de Vira-lata. Ela contou que a ideia do livro nasceu ao ouvir seu pai dizer “eu sou um homem humilhado”. “Essa frase ficou por muito tempo na minha cabeça”, disse ela. A partir dessa memória, refletiu sobre o ciclo de humilhação que marca a experiência de muitos brasileiros, emocionando-se ao relacionar essa dor ao sentimento coletivo do país.
Resistência e diálogo aberto
A escritora também relatou episódios de perseguição por suas obras, que a levaram a viver fora do Brasil por um período. Apesar disso, reforçou sua convicção de que a literatura é espaço de resistência. Após a palestra, abriu o microfone para perguntas e respondeu a todos com atenção e carinho, sem pressa, reforçando sua postura de diálogo.
Mediação e organização
A mediação foi conduzida pela jornalista Joelma Ospedal, diretora do portal Notícias de Franca. A equipe da biblioteca, representada por Marina Ferreira de Paula Elias, preparou o espaço com cuidado e hospitalidade, garantindo acolhimento tanto à escritora quanto ao público.
O projeto
Criado em 2008, o Viagem Literária integra as políticas de incentivo à leitura e democratização do acesso à cultura nas bibliotecas públicas paulistas.
A iniciativa é promovida pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, por meio do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SisEB), executada pela SP Leituras e realizada em Franca em parceria com a Secretaria Municipal de Esporte e Cultura.









