Casas Bahia fecha loja no Franca Shopping em meio a corte de quase 300 unidades no país
Unidade francana encerrou as atividades nesta semana durante forte reestruturação da varejista, que também demitiu milhares de trabalhadores e entrou com pedido de recuperação judicial
A Casas Bahia fechou a unidade que mantinha no Franca Shopping, em Franca, nesta semana. O encerramento da operação local acontece em meio a uma das maiores reestruturações recentes da tradicional varejista brasileira, marcada pelo fechamento de centenas de pontos físicos, demissões e uma situação financeira que se agravou nos últimos meses.
A unidade do shopping era uma das operações conhecidas do varejo de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos na cidade e teve suas portas fechadas dentro do processo de redução da estrutura física da companhia.
Em âmbito nacional, o Grupo Casas Bahia anunciou o fechamento de 298 lojas, movimento que representa uma redução significativa de sua presença física. Reportagens publicadas nos últimos dias apontam ainda desligamentos de milhares de funcionários durante o processo.
O fechamento em Franca, portanto, está inserido em uma transformação muito maior enfrentada pela companhia e pelo próprio varejo tradicional brasileiro.
Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial
A situação ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (17), quando o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, buscando reorganizar suas obrigações financeiras. A companhia declarou passivo de aproximadamente R$ 17,3 bilhões.
O cenário financeiro se deteriorou fortemente no segundo trimestre deste ano. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, embora grande parte desse resultado tenha sido provocada por efeitos contábeis não recorrentes.
A recuperação judicial ocorre depois de anos de medidas para reduzir custos, reorganizar dívidas, melhorar a geração de caixa e tornar a operação mais eficiente.
O fechamento das lojas consideradas menos rentáveis faz parte desse processo.
Quase 300 lojas fechadas e milhares de trabalhadores afetados
O encerramento de 298 unidades provocou forte impacto também sobre os funcionários da rede.
Inicialmente, informações divulgadas pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região apontavam aproximadamente 1,9 mil desligamentos. Reportagens posteriores indicam que o processo de redução do quadro já alcança cerca de 3 mil trabalhadores.
As demissões também abriram uma discussão trabalhista. Entidades sindicais questionam a forma como os cortes foram realizados e alegam ausência de negociação coletiva prévia.
A companhia, por sua vez, busca operar com uma estrutura menor e concentrar recursos em unidades, categorias e canais considerados mais rentáveis.
Enquanto lojas fecham, vendas pela internet avançam
Um dos aspectos que mais chamam a atenção na transformação da Casas Bahia é o contraste entre a redução das lojas físicas e o crescimento da operação digital.
No primeiro trimestre de 2026, as vendas digitais de produtos próprios da companhia — conhecidas no setor como operação 1P — avançaram 27,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Foi o melhor crescimento desse indicador em 19 trimestres. O comércio eletrônico total da companhia avançou 14,6% no período.
O desempenho ocorreu enquanto as vendas das lojas físicas permaneceram praticamente estáveis.
A empresa também ampliou uma estratégia que mostra como as grandes varejistas estão mudando a maneira de alcançar o consumidor: além de seus próprios canais digitais, a Casas Bahia passou a vender produtos em grandes marketplaces como Amazon e Mercado Livre.
Fechamento em Franca simboliza transformação do varejo
O encerramento da loja do Franca Shopping traz para a realidade local uma transformação que ocorre em escala nacional.
Durante décadas, grandes redes varejistas construíram sua expansão principalmente por meio de lojas físicas. Agora, precisam equilibrar essa estrutura com consumidores cada vez mais acostumados a pesquisar preços, comparar produtos e concluir compras pela internet.
No caso da Casas Bahia, entretanto, atribuir o fechamento das lojas apenas ao crescimento do e-commerce seria uma simplificação.
A companhia também enfrenta problemas financeiros próprios, despesas elevadas, dificuldades relacionadas ao endividamento e um processo profundo de reorganização de sua estrutura. No primeiro trimestre, por exemplo, mesmo apresentando melhora em indicadores operacionais e forte crescimento digital, o grupo ainda registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 1,06 bilhão.
A redução da rede física ocorre justamente dentro dessa busca por uma operação menor, financeiramente sustentável e mais concentrada nos canais considerados estratégicos.
Em Franca, o fechamento da unidade do shopping deixa uma consequência visível desse processo nacional e também reforça uma discussão que deverá acompanhar o varejo nos próximos anos: qual será o espaço reservado às grandes lojas físicas diante do crescimento acelerado das compras digitais?








