“A minha alma engrandece o Senhor” ( Lc 1,46)

A festa solene da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria celebra a sua glorificação em corpo e alma, a sua passagem à glória celeste. Ela é a mulher que venceu o inimigo e a luta contra os poderes hostis ao projeto de Deus. Glorificada no céu, intercede por nós.
Da própria Escritura tiramos os elementos da nossa devoção, louvor, veneração e acolhimento filial à Maria. A Bíblia revela que ela está presente nos momentos que constituem o mistério cristão: Encarnação, Páscoa e Pentecostes. A relação estreita entre Maria e os cristãos deriva daquela que há entre a maternidade divina e o sacerdócio de Cristo. Como a João aos pés da cruz, a cada um de nós é confiada Maria como Mãe (cf. Jo 19,26-27). Maria é a nossa “Advogada, Auxiliadora, Socorredora e Medianeira. Isso, porém, se entende de tal forma que nada derrogue, nada acrescente à dignidade e eficácia de Cristo, o único Mediador” (LG, 62). Os exercícios de piedade dirigidos à Maria se destacam, porque ela “é a discípula mais perfeita do Senhor”, o “primeiro membro da comunidade dos crentes em Cristo” (DAp, 266).
Maria, Mãe de Deus, sempre Virgem, Imaculada e Assunta ao céu é obra do Altíssimo. Ele a escolheu e amou-a primeiro. Ela é cheia de graça, é portadora das bênçãos do Senhor, depositária das alegrias messiânicas e do seu amor pleno.
Maria foi visitar Isabel, expressando a sua solicitude e caridade. Duas mães agraciadas por Deus e duas crianças benditas em sua vocação e missão se encontram. Repleta do Espírito Santo, Isabel declarou Maria como “bendita e bem-aventurada” (cf. Lc 1,42.45). Ela acreditou na Palavra do Senhor e, por sua fé, tornou-se a mãe dos que creem. Graças a ela, todas as gerações da terra recebem aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, fruto do seu ventre. Como Isabel, também nós ficamos admirados: “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?” (Lc 1,43).
Após a saudação de Isabel, Maria dirigiu-se a Deus e o chamou de Senhor e Salvador, numa atitude de profunda reverência, proximidade e adoração (cf. Lc 1,46-47). Na luz de Deus, ela se vê como humilde serva, por isso é glorificada: o Todo-poderoso fez grandes coisas em seu favor, e a sua misericórdia se estende de geração em geração (cf. Lc 1,49-50).
Deus olha a humanidade: dispersando os soberbos de coração, derrubando do trono os poderosos e despedindo os ricos de mãos vazias; elevando os humildes, enchendo de bens os famintos e socorrendo a Israel (cf. Lc 1,51-54).
Maria nos ensina a olhar o mundo com os olhos de Deus: com compaixão. Ela nos convida à conversão, pois também corremos o risco de olhar os outros com poder e descaso. Por isso, devemos descer do trono do orgulho e da vaidade.
Na festa em louvor a Nossa Senhora da Glória, rezamos e pedimos a sua intercessão por todos os religiosos e religiosas. Os consagrados aprendem de Maria a acolher o amor de Deus, o valor do serviço e a importância da santidade.
Dom Paulo Roberto Beloto.






