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“Ó Senhor, vós sois bom e clemente”

(Sl 85,5).


Jesus contou à multidão as parábolas do joio e do trigo, da semente de mostarda e do fermento (cf. Mt 13,24-33).
No seu trabalho normal, o agricultor semeia a boa semente do trigo no campo. O inimigo semeia o joio. As sementes crescem juntas. Quando pequenas, as plantas de trigo e joio se parecem, sendo difícil distinguir umas das outras. Só por ocasião da colheita é possível a separação. Por isso, o dono da roça orienta os empregados a deixarem as plantas crescerem juntas, até a época da ceifa, quando se pode separá-las: o joio é cortado e queimado, enquanto o trigo é recolhido no celeiro.

O que Jesus quer ensinar com esta parábola? A vida é como um campo, com situações diferentes e distintas, até em conflitos. Jesus, os discípulos e a Igreja semeiam a boa semente: amor, solidariedade, justiça e paz. Mas a Palavra encontra obstáculos, pois no mundo existem tensões, desvios, desordens, pecados e fragilidades humanas, forças contrárias ao Reino. A nossa tendência é não querer que essas realidades cresçam juntas e intervir com as próprias mãos. Mas só a Deus cabe fazer justiça e revelar a verdade. Ele permite que o joio cresça no meio do trigo, há o momento certo de separá-los. Da nossa parte, é preciso paciência e tolerância, pois ele nos ama em ambas as experiências.

Temos uma luta dentro de nós mesmos, talvez a mais dura. É preciso o exercício da paciência para conosco, com os outros e com as coisas. É fácil desanimarmos com os nossos defeitos e os dos outros. Mas não há motivos para o desânimo, pois enquanto mantivermos o combate, estaremos amando a Deus, e ele no ama sempre. A nossa incumbência é semear o bem, acreditar sempre, aprender também com as fragilidades. As dificuldades aparecem para quem se coloca no caminho de Jesus. Nunca devemos abandonar as coisas boas por causa de nossos pecados, pois deixar de fazer o bem é perder o caminho.

Através das parábolas do grão de mostarda e do fermento, Jesus incentiva a perseverança e a confiança. Mesmo sendo a menor de todas as sementes, quando semeado, o grão de mostarda nasce, cresce e fica maior do que as outras plantas, a ponto de abrigar em seus ramos os pássaros com seus ninhos. Apesar da aparente insignificância diante das porções de farinha, o fermento transforma e subverte completamente a massa. Assim acontece com o Reino de Deus: semear o amor e a justiça, pode parecer uma ação frágil e discreta, mas o Reino é dom do Espírito, é graça de Deus, com certeza, crescerá sempre, pois tem um poder que transforma tudo.
“O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza” (Rm 8,26). Que o Pai dos pobres, nosso defensor e intercessor nos ajude a discernir e a nos abrir à pessoa e à missão de Jesus, acolhendo o Deus que age com misericórdia. O seu desejo é a nossa salvação, e sua justiça é ser indulgente e bom (cf. Sb 12,13.16-19).

Minhas orações.

Dom Paulo Roberto Beloto.

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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