A casa amarrada

A casa amarrada
Ora, veja só! Escorregando pela rua Santa Efigênia, ali no bairro Dermínio, onde tem aquele sol estandarte de cores em aquarela, você verá a famosa e destacada Casa Amarrada.
Naquela casa, tendo sua estrutura toda sustentada e retida por cordas, linhas e cordões, viviam as irmãs Baluarte e Radiante. Lá também morava a vozinha das meninas, a qual fazia de tudo para que elas ficassem saudáveis, alimentadas e sem estripulias.
Quanto aos dois primeiros itens, a vozinha era bem-sucedida; todavia, o que não dizer das estripulias? Verdade seja dita que Radiante, a mais nova, era por si só uma criança calma, mas muito birrenta: se seu achocolatado não estava na temperatura correta, era preparar os ouvidos para o berreiro; se a chuva não chovia do jeito certeiro: as paredes vibravam a plenos pulmões!
E Baluarte? Essa era foguete de fim de ano, daqueles que explodem em mil cores faiscantes. Acordava cedo, antes das outras duas, pegava panelas e subia no telhado batucando e cantando qualquer coisa que fizesse muito barulho, tão alto que assustava o Aritana no Aeroporto. E quando percebia que Franca despertava, voltava as panelas para o lugar e com a cara lavada, perguntava para a vozinha se podia dormir mais um pouco antes de ir para a escola.
Nem sempre a casa fora amarrada. Com a chegada das netas, a vozinha teve que ir se precavendo. Começou passando cordas nos armários e gavetas para que Baluarte não as abrisse, pois qualquer coisa era motivo de baderna! Certo dia encontrou os litros de óleo na despensa, abriu todos e os esparramou no chão da cozinha para que pudesse patinar. Com dor na coluna, a vozinha não tinha remédio além de limpar o sebo que se formou. Brava, mas fazer o quê?
As cordas nas paredes vieram com o terremoto: o dente de Radiante caiu, colocou debaixo do travesseiro e no outro dia, ao verificar que não havia moedas, nem pestanejou em não chorar. Azulejos, reboco e até a tinta começou a sair quando as paredes se moveram.
A vozinha não tinha sossego nem para ir no mercado. Quando pensava que elas estavam dormindo, as encontrava perambulando pelo corredor de doces! Teve que amarrar portas e janelas também.
– Agora quero ver elas aprontarem – confabulou a vozinha consigo enquanto fazia um chazinho de tarde para todos tirarem uma soneca.
Erro de amador.
A única que dormiu fora a vozinha, coitada. Acordou, passou a mão na cabeça e, desesperada, percebeu que estava careca!
Ora, veja só! Iria amarrar o quê agora?








Kkkkkkk coitada da vozinha
É tão maravilhoso e lúdico o tempo de criança!!!
Também quero ter uma casa amarrada kkkk.
Já estou trabalhando meu psicológico pra quando os meus netos crescerem!!!
Tenho a impressão que Baluarte, ainda continua muito travessa!🤭
Coitada dessa avó. Como será que estão essas crianças
Lá na Cidade dos Miguéis, beira do Grande Rio, na época do vento ventado, os ribeiros amarram suas casas nos pés das goiabeiras. Então, elas flutuam mas nunca se espalham pelo vale da Cabeça do Boi.