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“Recomendo que se façam preces e orações” (1 Tm 2,1).

Jesus contou a parábola de um administrador acusado de esbanjar os bens do patrão (cf. Lc 16,1-8). Com receio de perder o emprego, ele agiu de modo desonesto. Foi elogiado pelo senhor, porque agiu com esperteza, prudência e astúcia. O elogio, é claro, não se refere à desonestidade, mas à sua habilidade diante de uma situação difícil. Aqui está o ponto central da história: o administrador foi capaz de um ato de discernimento que o salvou. Nós que somos “filhos da luz”, devemos agir com sabedoria diante da vinda do Reino, nossa riqueza maior, nos ensina Jesus. É preciso saber escolher bem, ter discernimento, agir com habilidade e prudência. Esta criatividade, audácia e competência é pelo bem escolhido, pois é uma opção que determina e orienta a vida. A nossa escolha e decisão é por Jesus, é crer no Evangelho.

Paulo tem razão em recomendar e insistir no exercício da oração (cf. 1 Tm 2,1.8), pois esta prática se apresenta como uma prioridade em nossa vida espiritual, já que ela nos coloca em comunhão com Deus, conosco mesmo, na nossa dimensão mais profunda e íntima, e nos lança no apostolado e no relacionamento com os irmãos e irmãs. Deus nos ama e nos tem como pessoas especiais, daí a necessidade de nossa correspondência exterior e interior. Exteriormente, correspondemos com as nossas atividades normais, interiormente, com uma relação nova com Deus. Sem a vida de oração, isto não é possível. A verdadeira oração não afasta dos compromissos, mas dá um sentido real e verdadeiro a eles.

Na oração podemos suplicar ou pedir ao Senhor, assim como, agradecer e proclamar as suas maravilhas. Também podemos louvar e exaltar a sua grandeza, sua justiça e bondade. A oração mais profunda é a escuta atenta, a adoração a Deus, o estar diante dele e oferecer a nossa presença. O apóstolo Paulo fala da oração de intercessão, dirigida ao Senhor, em favor dos outros. É da oração de escuta que brota a intercessão.

O sujeito da oração é o Espírito Santo. Mas ela requer a nossa colaboração. Precisamos aprender a orar, com amor, docilidade e vontade. Alguns pressupostos são essenciais: a fé, a confiança, a liberdade, a amizade, a humildade, a determinação, a perseverança e a fidelidade, a paciência, o amor a Deus e aos irmãos; o silêncio, o perdão, a disposição, o gosto e o desejo. Também a oração exige disposições exteriores, como o tempo, o lugar adequado, a preparação, a posição adequada do corpo, a partilha, a avaliação, a direção espiritual.

Rezar não é fácil. Quem se empenha nesta arte, com certeza, enfrentará as resistências: aridez, desânimo, provações, sofrimentos, distrações, cansaço… Nunca devemos abandonar a oração por causa das dificuldades, pois deixar a oração, é perder o caminho.

A oração cristã tem a Jesus Cristo como centro, ele é o “único mediador entre Deus e os homens”, aquele “que se entregou em resgate por todos” (1 Tm 2,5.6). O exercício da oração alimenta em nós as virtudes da fé, da esperança e da caridade, essências da vida cristã, e nos ajuda a discernir com sabedoria nas escolhas e opções que fazemos.

“Bendito seja o nome do Senhor, agora e por toda a eternidade” (Sl 112,2).

Dom Paulo.

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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