A fábrica de monstros

Como a esquerda mata seus opositores.
Charlie Kirk está morto. E, como sempre, antes da bala, veio o rótulo. Não se mata alguém do nada. É preciso fabricar um monstro, um inimigo absoluto, um mal a ser extirpado. Essa é a engrenagem mais previsível — e, ao mesmo tempo, mais perigosa — da política contemporânea. A esquerda domina essa arte como ninguém.
A lógica é simples e eficiente: qualquer adversário é fascista. Qualquer discordante é nazista. Não importa o conteúdo, a nuance, a divergência. Se não repete a cartilha deles, se não reza a liturgia progressista, pronto: você é o Hitler do dia. O passo seguinte é quase automático: se o nazismo é o mal absoluto, então qualquer violência contra “nazistas” não é só tolerada — é justificada, até celebrada.
Foi assim contra Charlie Kirk. Foi assim na tentativa de assassinato de Donald Trump. Foi assim quando Jair Bolsonaro levou uma facada em plena campanha. Foi assim quando militantes do Partido UP tentaram matar coletores do Partido Missão, durante a colheita de assinaturas, em janeiro do ano passado. Sempre o mesmo roteiro: o adversário político é pintado como “fascista”. Logo, “antifascistas” se sentem convocados a exercer sua “violência redentora”.
O manual do linchamento
O esquerdista acadêmico — aquele que estudou anos em sociologia, história, filosofia — não ignora o que é fascismo. Sabe muito bem. Mas prefere deformar o conceito, esvaziar a precisão histórica e inflar a retórica. Fascismo vira sinônimo de “qualquer coisa que eu não gosto”. Isso não é ingenuidade. É estratégia.
E funciona. Ao longo das últimas décadas, a palavra “fascista” deixou de designar um regime autoritário específico para virar um coringa moral. Ela não descreve; ela sentencia. É a linguagem como arma de guerra, que prepara o terreno para a violência física.
Nesse ponto, a esquerda repete o mesmo método que atribui aos totalitarismos do século XX. Stalin fazia o mesmo ao chamar opositores de “inimigos do povo”. Mao preferia “contrarrevolucionários”. A fórmula é idêntica: primeiro, desumaniza-se; depois, elimina-se.
O risco concreto
Não estamos falando de abstrações acadêmicas. Estamos falando de risco real de vida. Quando uma liderança política é carimbada como “nazista” nos jornais, nas redes, em salas de aula, isso não fica no campo simbólico. É um convite tácito à violência. “Se é nazista, então deve apanhar. Se é fascista, deve morrer.”
É exatamente isso que encorajou o atirador de Charlie Kirk. É exatamente isso que alimentou os disparos contra Trump. É exatamente isso que permitiu que jovens militantes, tentassem matar integrantes do Partido Missão. Não estavam em busca de poder ou lucro. Estavam em busca de expurgar o “mal”.
A ironia é que, no discurso, esses militantes dizem lutar contra regimes violentos. Mas, na prática, repetem sua lógica com perfeição.
O caminho jurídico
Diante desse cenário, a pergunta é inevitável: vamos continuar tratando isso como mero excesso retórico, como “parte do jogo democrático”? Ou vamos encarar que se trata de incitação à violência política — e que, portanto, precisa ser criminalizada?
Na última semana, o deputado, e coordenador do MBL, Kim Kataguiri protocolou um projeto de lei que enfrenta justamente essa perversão. A proposta tipifica como crime o discurso, a produção e a distribuição de material que faça apologia não apenas ao fascismo e ao nazismo, mas também ao socialismo e ao comunismo — ideologias autoritárias que, historicamente, resultaram em perseguição, assassinatos e Estados policiais.
Pena prevista: quatro a oito anos de prisão. Até 16 anos se for pela internet. Há quem ache exagero. Eu diria: é a resposta mínima a quem usa a linguagem como munição para legitimar atentados.
Filosofia de bar ou defesa da vida?
Alguém poderá argumentar que criminalizar ideias é um risco para a liberdade de expressão. Verdade. Mas o que está em jogo aqui não é mera opinião. Não estamos falando de divergência teórica ou debate de cátedra. Estamos falando de uma estratégia deliberada de demonização que já custou sangue. O que está em jogo é a preservação da vida democrática — literalmente, a vida dos seus participantes.
E aqui a ironia se impõe: os mesmos que pregam tolerância, diversidade e paz não hesitam em pintar metade do espectro político como inimigo a ser abatido. O discurso bonito se dissolve quando um militante, “em nome do antifascismo”, pega uma faca, uma arma ou uma bomba caseira.
O ponto final — ou o início de outro ciclo?
A morte de Charlie Kirk não foi apenas a tragédia de um indivíduo. Foi a confirmação de um padrão. A cada vez que aceitamos, sem contestar, o rótulo de “fascista” colado em qualquer conservador, liberal ou direitista, estamos abrindo caminho para que o próximo militante perturbado se sinta autorizado a matar.
Não é exagero. Não é paranoia. É apenas seguir a lógica até o fim. E é justamente por isso que a linguagem precisa ter limites claros.
Se a esquerda transformou o “antifascismo” em justificativa para homicídio político, a sociedade tem o dever de responder. Não com linchamento, mas com punição.
A democracia não sobrevive quando a palavra vira licença para o crime. E, se não cortarmos esse ciclo agora, amanhã não será apenas o líder conservador nos Estados Unidos. Amanhã poderá ser qualquer um de nós.









Qual o limite dos esquerdismo relativista? Do estremo olhar relativista das esquerda? o terrorismo do bem?
O douto advogado Cardoso esqueceu-se de que a prática de intolerância acontece mais do lado da extrema direita do que da extrema esquerda. O que diz desta notícia? https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/02/13/bolsonarista-acusado-de-matar-petista-e-condenado-a-20-anos-de-prisao.ghtml E a respeito de que o Adélio, sua ligação não foi com partido de esquerda, mas com o PCC, segundo esta reportagem: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/adelio-inimputavel-e-inqueritos-fechados-o-que-se-sabe-ate-hoje-sobre-a-facada-em-jair-bolsonaro/ Em relação a Trump, o atirador era um jovem que sofria bullying e sua única atitude política de vida constatada que doou para os Democratas, contudo tinha uma fixação por armas e nenhuma ligação com partido socialista ou de esquerda nos EUA. https://www.bbc.com/portuguese/articles/cek9r8x1n12o E, por fim, o MBL sempre procurou criminalizar a esquerda por fatos deturpados e motivos vis, igual aos demais extremistas de direita que querem impor narrativas e visão de mundo intoxicada por violência e intolerância.
Parabéns Doutor João . Sempre ético , nos trazendo textos que nos fazem refletir os dias atuais que vivemos! Continue assim! São pessoas como o senhor que trazem conhecimento, esclarecendo fatos impressionantes de uma sociedade que vive numa corda bamba com tantas falácias em nome da sede por poder!
CORRETÍSSIMO
Parabéns Doutor João Pedro Cardoso!
Excelente texto, sempre trazendo a verdade sobre o que estamos passando atualmente .
Parabéns Doutor João Pedro Cardoso!
Excelente texto, sempre nos trazendo a verdade e conhecimento.