Roda solta

Entre dois caminhões, o carro de passeio vem de recheio.
O sanduíche é péssimo para a saúde do trânsito. E não se tem para onde correr.
Será possível evitar ou, pelo menos, reduzir o inaceitável índice de desastres nas estradas, ainda que naquelas, como as do estado de São Paulo, que simplesmente, tem 9 entre as 10 melhores do Brasil?
Dá pena constatar que somente a RJ-124 – Via Lagos, que vai de Rio Bonito a São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, com extensão de cerca de 57 km, uma rota de acesso à Região dos Lagos, com pista duplicada, pedágio eletrônico e excelente conservação, é que desbanca a hegemonia isolada do estado das treze listras vermelhas e brancas.
Trabalhemos com perspectivas otimistas.
Antes, porém, em expressão chavão, temos que passar pela máquina da ressonância magnética devassadora da Pesquisa CNT de Rodovias 2024[i], folheando trechos de suas principais páginas e conclusões.
O estado geral tem indicações de UTI. Depois, em aparecendo novos (re)descobridores, que não carreguem o DNA de 1500, serão outros quinhentos (anos!). A este tópico é que vamos:
O resultado da avaliação do estado geral das rodovias apresenta a qualidade da infraestrutura rodoviária brasileira. Com isso, é possível ter uma visão clara das condições atuais da infraestrutura rodoviária no Brasil.
Ele permite identificar quais trechos de rodovias estão em boas condições (Ótimo ou Bom) e quais apresentam algum tipo de problema (Regular, Ruim ou Péssimo). Dessa maneira, é possível mapear os trechos mais críticos, que necessitam de intervenções de reconstrução ou recuperação ou de investimentos em manutenção para evitar uma degradação ainda maior da malha.
Com base na avaliação realizada nos 111.853 quilômetros de rodovias brasileiras, verifica-se que a maior parte da extensão, 75.039 quilômetros (67,0%), foi classificada como Regular, Ruim ou Péssimo, enquanto 36.814 quilômetros (33,0%) foram classificados como Ótimo ou Bom (Tabela 4 e Gráfico 8).
Paciente debilitado
Os 45.263 quilômetros (40,4%) classificados como regular estão à beira de uma deterioração mais severa, exigindo manutenção urgente para evitar seu agravamento. Isso significa que, sem intervenções adequadas e tempestivas de manutenção, estes trechos possivelmente migrarão para as categorias ruim ou péssimo.
Nada como um infográfico para melhor certificação do quadro cínico e clínico das veias e artérias terrestres que ligam as cinco regiões:


Com tantas complicações vasculares, o Ministério dos Transportes está mais para atendente de ambulatórios e de UBS. Não sai da porta de entrada do SUS, escutando e, tendo aparelho, auscultando as queixas, diagnosticando viroses, dando receitas de protocolo-padrão e, quando tem, libera um genérico na faixa.
Atento ao horário de ser rendido no plantão dos mandatos, para não perder a renovação da outorga popular, chega à apoteose do segundo nível de atendimentos: autoriza que os seus usuários tenham direito, no médio e longo prazos, a serviços especializados e exames. É luxo para quem viveu.
Recapeamentos e tapa-buracos vão enrolando onde deveriam rodar as soluções eficientes. Asfalto novo e dispositivos de segurança e de socorro das estradas/rodovias é pedir demais. É abusivo querer atenção no nível terciário, com ações e intervenções mediante obras e serviços de alta complexidade.
Lobbies e lobos
Os primeiros, da iniciativa privada. Os canídeos, criamos e engordamos nos segmentos estatais.
O que tem a ver? Tudo.
Os resultados da pesquisa dantes consultada, quando analisados segundo o tipo de gestão, evidenciam diferenças de predominância de condições entre as rodovias sob gestão pública e as concedidas.
Assim é que naquelas, que correspondem a 74,8% da extensão levantada, predominam os trechos com avaliações Regular (43,7%) e Ruim (25,9%) para o Estado Geral, seguidas de Bom (20,0%), Péssimo (7,7%) e Ótimo (2,7%). No Pavimento, predominam as classificações Regular (39,2%) e Ótimo (24,4%), seguidas de Ruim (18,8%), Bom (10,6%) e Péssimo (7,0%). Para a Sinalização, destacam-se os trechos com avaliações Regular (43,3%) e Bom (21,5%), seguidos de Ruim (16,4%), Péssimo (13,8%) e Ótimo (5,0%), enquanto para a Geometria da Via têm-se, pela ordem, as condições Ruim (26,0%), Regular (25,4%), Péssimo (21,5%), Bom (17,6%) e Ótimo (9,5%).
Por outro lado, nas rodovias sob gestão da iniciativa privada, que correspondem a 25,2% da extensão levantada, predominam as avaliações Bom (41,7%) e Regular (30,8%) para o Estado Geral, seguidas de Ótimo (21,4%), Ruim (5,7%) e Péssimo (0,4%). No Pavimento, predominam as condições Ótimo (51,4%) e Regular (21,5%), seguidas de Bom (15,9%), Ruim (8,7%) e Péssimo (2,5%).
Destacam-se, na sinalização, os trechos com avaliações Regular (33,6%), Bom (32,6%) e Ótimo (31,3%), seguidas de Ruim (1,8%) e Péssimo (0,7%), enquanto na Geometria têm-se, pela ordem, Ótimo (31,1%), Bom (26,7%), Regular (24,9%), Ruim (14,0%) e Péssimo (3,3%). Tal diferença de desempenho entre os tipos de gestão pode ser atribuída, no caso das rodovias concedidas, aos maiores volumes de investimento por quilômetro e, ainda, à atuação dos órgãos reguladores responsáveis pela fiscalização dos contratos de concessão e de suas obrigações.
A assertividade é do que carece a política de transportes não se pode dissociar da política nacional de todo o sistema viário, dentro e fora das cidades.
Depois de trinta e três meses no pudê, o governo, mirando 2026 (por que será?), espera finalizar 15 concessões de rodovias até o fim de 2025.
O vídeo postado[i] desperta várias perguntas, a começar pela plausível suposição de manutenção falha e de revisões incertas de todos os tipos e categorias de automotores que cortam, rasgam e danificam os tapetes de asfalto.
A roda saiu.
Pela madrugada! Os efeitos desse acidente são visivelmente assustadores.
Oficina
Um grande risco que leva a falhas mecânicas, resultando em acidentes com graves consequências, incluindo mortes e lesões, com prejuízos materiais e financeiros para empresas e motoristas. Componentes como pneus, freios e suspensão precisam de manutenção preventiva constante, pois o desgaste natural ou a funcionamento defeituoso dessas peças podem levar à perda de controle do veículo e a acidentes.
Seu guarda
A fiscalização, tão incidental e que pode depender da cara do freguês, e a realização de manutenções regulares e preventivas, são cruciais para que acidentes, multas e a retenção do veículo não aconteçam.
[i] @caminhoneiro_no_trecho
[i] https://cnt.org.br/documento/cbf59b9e-fd1a-41fc-b230-172c4dc42100







