Cada um pra si

Nunca foi tão verdadeira essa frase de desabafo, beirando a um grito de socorro.
Tem alguém aí?
Sempre tem e gente para encher estádios.
No filminho que descolamos, o público assistente e indolente garante o faturamento tranquilo da academia de fortões e gatas fitness. Cada um para si e Deus para todos, se der tempo. Fé ali é (fe)rro. Puxar o metal, que também é minério.
Assim temos sido, para o nosso bem-estar individual. É ferro!
A beleza e idolatria pelo corpo vai escalando alto. Estamos sendo sugados pelos exaustores que as mídias vendem – sim, vendem; são monetizadas e, especificamente os influenciadores de maior audiência, são recrutados por multinacionais, grandes complexos de publicações editoriais, pelas bets – que disputam mercado como plataformas de apostas esportivas on-line, onde os usuários podem apostar dinheiro real em resultados de eventos esportivos, arrebentando com a rebimboca da parafuseta da saúde mental e orçamentos de pessoas e famílias inteiras, com o governo do país dando a sua mãozinha de alguns milhões, dado que está queimando somente mais de 15% que o seu inesquecível antecessor.
O culto ao corpo se trava na ânsia pelas medidas perfeitas. Nesse ponto, o controle se vai. Desaparece a fita. A balança vem para o pódio, com o espelho de cara com os da maromba.
Pode ser que, nesta série, tenhamos dado suspensão e folga para a noção das coisas.
É pressão de todo lado: sem dor, sem ganho, é a palavra de comando que instrutores e personal trainers repetem a cada movimento de seus futuros e resistentes bombados. O shape vem!
Vindo como neste vídeo, nos inclua fora dessa!
Um jovem de 20 anos foi vítima de uma agressão traiçoeira em uma academia de Ananindeua, na Grande Belém, no Pará, na última quinta-feira (14).
A premeditação do ataque com barra de ferro é chocante. O agressor vem com o espírito e os braços armados e pá, solta a barra na cabeça de seu suposto acusador de acusações de assédio, calúnia e ameaças.
Jovem de tudo, ainda não assimilou regrinhas bobas e importantes de como viver em sociedade. Mas, malhar é com ele.
Preparado, fugiu.
Quem puxa ferro, manda o ferro. Agora, é preparar para tomar ferro nas barras da Justiça e, por um bom tempo, não mais em academia.
A primeira série dos aborrecimentos está cumprida, com louvor: a academia informou que a matrícula do aluno responsável pela agressão foi imediatamente cancelada.
A segunda, no aquecimento, um inquérito policial aberto somente para o valentão que, para ser fitness, supõe que não deve ser praticante de atos de fineza moral.
Não se dispõe de informações atualizadas sobre o estado de saúde da vítima.
Sobre a plateia que a tudo viu e nada fez, em um salve-se-quem-puder, chegamos a intuir que andou lendo o psicólogo canadense Paul Bloom, um crítico ferrenho da empatia, em seu livro Against Empathy: The Case for Rational Compassion
Ficamos com a compaixão, atributo inato a Cristo, porque é sentimento sublime que envolve o reconhecimento da dor do outro e um desejo genuíno de ajudar a aliviar essa dor; mais que empatia.







