Marretadas

A Prefeitura de Montes Claros, a maior cidade do norte mineiro e com população maior que a de nossa Franca, aqui no nordeste de São Paulo, deveria estar estudando para, no século XXII, mandar demolir uma caixa d’água que estava plantada no meio de uma via pública.
Abandonada. Sem uso algum, com uma perna torta.
Pedia para cair.
O povo montes-clarense é de uma paciência nada invejável.
Seu corpo político tem à testa um sujeito bom de voto, Guilherme Guimarães, do União Brasil, eleito prefeito com mais de 70% dos votos válidos.
A Câmara Municipal está repleta de vereadores preocupadíssimos com o bem-estar e a segurança de seus eleitores e outros ‘ores’, como moradores e torcedores eleitorais.
Dos 23 vereadores eleitos em 2024, 18 foram reeleitos; renovação de apenas 5 cadeiras.
Bons de urna, ruins de trampo.
Depois de 8 meses de mandato, teve que aparecer um servidor daquela Prefeitura, chegando o pilungo na marvada da caxa dágua que pedia para decê, decê para MG. Antes fosse pro BeCê!
Será que aqueles nobres representantes das massas iriam abrir licitação para a execução de um serviço de porte e riscos tão perigosos e de custosa realização?
Ponho a bronca na telinha[i]:
O que parecia um trabalho rotineiro acabou viralizando nas redes sociais e levantando preocupações sobre segurança no trabalho.
Identificado como servidor da Prefeitura de Montes Claros, o herói não reconhecido por sua audácia, derruba uma caixa d’água desativada na comunidade de Cabeceiras, zona rural do município, sem utilizar qualquer equipamento de proteção individual.
Veja que com ele é na porrádia: com uma marreta em punho, ele despeja golpes em um dos pilares daquilo que um dia serviu demais a comunidade e a sua estrutura desaba, obrigando-o e a outras duas pessoas que assistiam à cena, a vazarem de quinta para não serem atingidos.
Resolvido
O episódio ocorreu após um veículo colidir contra o reservatório d’água abandonado na noite de domingo passado, dia 10, causando sérios danos e levando a Defesa Civil a interditar a área.
Para interditar a Prefeitura é de uma agilidade incomum. Tão vendo?
Corpo fora
A obrigação do Município foi jogada nas costas da comunidade.
Completa omissão e desconhecimento das normas de direito constitucional e administrativo. Mas pode ser também falta de justificativa por sua negligência e inoperância.
Confira:
Em nota, a Prefeitura afirmou que a estrutura pertence à comunidade e não está sob responsabilidade municipal. Segundo o comunicado, já havia um planejamento para a demolição segura, com acompanhamento técnico e uso de maquinário, mas o servidor agiu “de forma amadora e precipitada”, desobedecendo ordens e normas de segurança. Ele não se feriu, mas foi advertido por colocar em risco a própria vida e a de terceiros. A comunidade mencionada está no município de Montes Claros.
A nota oficial apenas confirma o seu poder-dever de fazer o que não fez.
[i] @itatiaiamoc







