Provisão e abandono

A inteligência artificial, nesta manhã, negou-se a informar quantos processos de investigação de paternidade estariam em andamento nesta pátria amada, Brasil.
Dados que saltam das estatísticas compiladas no achômetro são cientificamente imprestáveis. Social e assistencialmente, não. Dão base para uma ligeira reflexão da paternidade, com todo o subjetivismo e cosmovisão cultural e religiosa de quem a ligar para a cabeça girar e o coração aquecer nesta fria manhã do segundo domingo de agosto.
O registro do nome (compreendidos prenome e nome de família ou sobrenome) de um pai em assento oficial de nascimento de uma criança é timbrado por forte carga moral, pela tração do motor da cultura maiormente cristã.
O ato de vontade de assim proceder tem sido relegado a segundo, a último e a nenhum plano. Crianças morrem velhinhas sem saber o autor de sua filiação. Passados deste plano, vez ou outra o espólio do suposto genitor vai ao banco dos réus, depondo com desabafos, contestações, acusações torpes ou dolorosamente verdadeiras, armado até à genitália para impingir à madre visitas e cópulas íntimas que não lhe seriam exclusivas.
_ Um corte: a briga pela não-divisão de herança comanda esse universo de luta e luto sentimental.
Vem a voz do sangue – quando não ficou afônica ou enrouquecida -, pelas cordas vocais do DNA e declara a verdade genética possível, na linha da comparatividade, com margem de inclusão da paternidade cravando 99,99% (noventa e nove vírgula noventa e nove por cento) da análise das amostras coletadas.
Próximo de 7% (sete por cento) dos nascidos vivos não têm tido o direito de ter o nome do papai na sua certidão de nascimento. É filho da mãe!
Como pode, não é mesmo, se foram dois os danados por prazer que se enroscaram, se penetraram e fecundaram o nascituro, de nominhos complicados como são as relações do só ficar e do tô indo embora (quieto, Tim Maia. Aqui é Théo Maia!), espermatozoide e óvulo!
Os que amam os números e detestam o convívio entre os nascidos de mulher, vão ao orgasmo da misoginia, da antipatia e do galanteio medíocre, pondo lenha na fogueira, ao dar volume ao FSP – permitam, filhos sem pai – os quais ultrapassam 170.000 (cento e setenta mil) recém-nascidos ano a ano.
Esses elementos matemáticos não sentem a solidão e tristeza indizível dos rebentos cujas mães elegeram a missão de os criar e educar sozinhas.
O universo dos pais responsáveis é claramente maior, muito maior. É fazer as contas pelo contrário: representa algo perto de 93% (noventa e três por cento) de manifestação de alguma e cara responsabilidade paternal.
Os bandidos conhecem a lei. Já os omissos são como os que ferem: podem não saber, mas também estão feridos.
Minha alma se alegra em poder ressaltar o que um ‘eu te amo’ resolve. Aí é que mora o perigo, o perigo de esquecer de o dizer, cara a cara, coração com coração, ‘eu te amo, pai!”.
O setor comercial e de serviços, ainda na semana que se encerrou ontem, sábado, 9, pegou pesado e mandou falar que o Dia dos Pais é ‘Meio Dia das Mães’.
BRICS e desdolarização da economia, no teatro macabro do progressismo materialista-hedonista e do conservadorismo extremado, a conta vem pros pais, meu pai do céu!
Fico com a importância da igreja, aquela de Atos dos Apóstolos, da comunhão em famílias, em que as divergências entre homem e mulher, as disputas de filhos e descendentes outros e destes com aqueles, a concorrência pelo sustento decente surgem e se revolvem no seu santo recesso, na partilha que sacia e no diálogo, embora áspero e alterado, produzem os que fazem a diferença porque são diferentes entre todos os iguais.
Educação, amor imedível e incondicional, noções e testemunhos de conduta responsável, conselhos sábios e o ensino do amor ao Pai – e ao semelhante, próximo ou estrangeiro e estranho – são coisinhas básicas, tomadas de milagres que não reconhecemos e notamos. Nada errado. É o ambiente sadio, de gente equilibrada que, tendo pouco ou nadando em dinheiro, tem um pai que lidera com a esposa, a companheira, a sua consorte, para a boa sorte do desenvolvimento social, humano, emocional, intelectual e do espírito dos seus filhos neste Dia dos Pais e amanhã e por todos os dias de sua vida.

Pai e avô, de curar umbigo, dar banho, tratar sapinhos, trocar fraldas e as lavar, dar papinhas, impaciente tantas vezes, bravo, enérgico, ansioso por transmitir o gosto pelos estudos e a bondade para com todos, humilde o suficiente para pedir perdão e corajosamente mole para repetir aos filhos: eu te amo. A esposa é cúmplice. A data a nós reservada neste 10 de agosto é devida a eles. A Ele, o Pai Eterno, toda a gratidão e honra.








Belíssimo texto, parabéns DR.