“Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto” (Cl 3,1).

Alguém pediu a Jesus para que ele fosse mediador na repartição de uma herança. ” Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” (Lc 12,14), respondeu o Mestre. A seguir, aproveitou da ocasião para deixar lições. É preciso tomar cuidado com a ganância, pois quando ela toma conta do nosso coração, não há como repartir uma herança com justiça, equidade e paz. O valor da vida humana não consiste em ter muitas coisas, mas sim em ser rico para Deus.
Jesus contou a parábola do rico insensato e ganancioso, que só pensou em acumular bens aqui na terra. Deus lhe disse: “Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?” (Lc 12,20).
A morte é uma chave de discernimento para se compreender o sentido verdadeiro da vida. Ela relativiza tudo, pois mostra o que perece e o que permanece. Não se pode levar nada na sua hora. “Nu eu saí do ventre de minha mãe, e nu para ele eu voltarei” (Jó, 1,21). Estão equivocados aqueles que põem suas esperanças nos bens materiais. É sábio quem acumula bens para Deus.
O livro do Eclesiastes ensina a transitoriedade das coisas: por que acumular de modo desordenado os bens nesta vida, se não sabemos para quem vão ficar? Nada poderá assegurar a nossa felicidade e a realização humana aqui na terra, pois “tudo é vaidade” (Ecl 1,2), tudo é vazio, frágil e passageiro, sem Deus.
No processo de conversão a Jesus Cristo, com o rito do Batismo, os cristãos de Colossas foram “revestidos do homem novo”, morreram “às coisas terrestres” e ressuscitaram com ele. Agora devem viver de acordo com a fé recebida, e “buscar as coisas do alto”, “aspirar às coisas celestes”, onde Cristo está, na glória (cf. Cl 3,1-5.9-11). Não se trata de negar, negligenciar ou descuidar das coisas da terra, pois a criação é boa e feita por Deus. É deixar uma vida de pecado, de apegos desordenados, ganância, com a marca da “imoralidade, impureza, paixão, maus desejos, cobiça” (Cl 3,5) e mentira. Na sequência do texto, o apóstolo Paulo acrescenta: “ira, raiva, maldade, maledicência e palavras obscenas” (Cl 3,8). Quem foi escolhido por Deus, é santo e amado, “deve vestir-se de sentimentos de compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência” (Cl 3,12), é capaz de perdoar e viver o amor, “que é o laço da perfeição” (Cl 3,14). Só o caminho com Jesus Cristo pode conduzir à verdadeira sabedoria, à liberdade e realizar o ser humano.
“Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza!” (Sl 89,17).
Iniciando o Mês Vocacional, nossas orações em favor dos diáconos, padres e bispos: que sejam fiéis, perseverantes e zelosos ministros de Jesus Cristo e da Igreja.
Nossa gratidão a todos os sacerdotes. Que são João Maria Vianney, o Cura d’Ars, interceda pela santidade e ministério de nossos padres, para que sejam modelos nos serviços do Altar, da Palavra e da Caridade.
Dom Paulo.






