Variedades

Histórias do outro lado do espelho

Parte II

Naquela noite em questão, a lua estava bem grande e brilhante no céu, como a secretária jamais havia visto, e isso a fez suspirar quando olhou pela janela. Porém, fazia um calor anormal, visto que era julho.

A falta dos alunos na escola começou a preocupar a secretária. Onde será que estão todos? Já era para terem chegado, pensou ela. Já havia passado algum tempo desde a abertura dos portões e, a essa hora, todos já deveriam estar nas respectivas salas de aula.

Outra coisa que a intrigou foi a ausência dos professores. Ela não havia visto nenhum chegando — pelo menos não que se lembrasse. O estacionamento estava praticamente vazio, com exceção do carro da diretora e do seu próprio carro, que sempre ficava estacionado na mesma vaga.

Que engraçado, o carro da diretora era branco… e agora é vermelho? Será que ela trocou e eu não percebi? — notou, intrigada. Mas, sem muita preocupação com o fato, voltou aos seus afazeres.

Depois de ter impresso três folhas, a máquina deu sinal de falta de tinta.

— Mas já? Eu troquei esse toner ontem — pensou alto.

A secretária se dirigiu até o armário onde ficavam guardados os materiais da secretaria, a fim de pegar o item de que precisava, e notou algo estranho.

Ora, esse armário não tinha três portas? Será que trocaram hoje à tarde e não me avisaram? Ou eu não percebi? Estou começando a duvidar da minha saúde mental — disse, fazendo piada consigo mesma.

Ela girou a maçaneta do armário e não conseguiu abri-lo.

— Meu Deus, que noite estranha! — pensou em voz alta, fazendo piada de si própria novamente.

Ela abriu a gaveta para tentar encontrar a chave, e lá estava ela, adornada com um chaveiro de gato.

Que chave é essa? A chave do armário tem uma plaqueta com a indicação do número seis. Que merda está acontecendo? — disse a secretária, começando a se preocupar de verdade com tantas coisas estranhas acontecendo na mesma noite.

— Bom, deixa pra lá…

Ela abriu o armário e percebeu que os itens que comumente ficavam guardados em uma determinada ordem não estavam lá. Em seu lugar, havia outros tipos de materiais dispostos de forma totalmente desordenada, e isso a irritou muito, tendo em vista que uma de suas funções era manter o local organizado.

— Mas que raios está acontecendo nesta escola? Primeiro trocam o armário e não me avisam, trocam a chave e não me avisam e, o mais inadmissível de tudo: ainda deixam essa bagunça?

Ela percebeu que não havia nenhum toner, onde antes havia três — e ela era a única que realizava a troca desse item nas impressoras. Dentro do armário, havia dois baldes e duas latas de tinta, onde deveriam estar os materiais usados na secretaria, como lápis, canetas, folhas etc.

O que está havendo? Vou atrás da diretora para perguntar se ela sabe de algo.

A secretária se dirigiu até o começo do corredor que dava acesso à sala da diretora, mas algo a fez parar.

Evanuse Fernandes

É Graduada em Psicologia pelo uni-FACEF com orientação em Psicologia Analítica/Junguiana, Graduanda em História pela Uniube, e Pós-graduanda em Psicologia com Intervenção em Drogas pela Faculeste.

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