As Olimpíadas

Desde que surgiram como sociedade organizada nos arredores do Monte Olimpo, os gregos sempre cultuaram os esportes quase tanto quanto a religião, dizem os historiadores. As competições esportivas que culminaram nas Olimpíadas da era moderna surgiram na Grécia Antiga, por volta do século XIX a. C. Eram os Jogos Pan-Helênicos, constituídos de festivais de competições esportivas, realizados de quatro em quatro anos. Deles participavam atletas de todo o território grego e de suas colônias, menos mulheres e escravos. As disputas eram de corridas de quadriga – uma carroça puxada por quatro cavalos, pancrácio – uma luta corporal semelhante à MMA atual, boxe, o atual, estádio, que se constituía de corridas a pé, como as de hoje. Os atletas competiam nus, exceto nas corridas de quadriga. Às mulheres também era proibido de assistir aos Jogos, com exceção das virgens.
Essas competições foram interrompidas por razões não conhecidas entre os séculos XV e IX a.C. e reiniciados em 884 a.C. Consta que o rei Ífito, da Élida (uma região então autônoma da Grécia Antiga), perguntou à sacerdotisa encarregada de interpretar os oráculos de Delfus o que fazer para pôr fim à peste que assolava o Peloponeso. A sacerdotisa sugeriu a restauração dos jogos, para aplacar a fúria dos deuses… E então os jogos foram reiniciados.
No entanto, quando a Grécia foi dominada pelos romanos, no século II a. C., os jogos entraram em declínio, porque a cultura romana não prestigiava as disputas desportivas. Eles Preferiam o circo, em que os gladiadores travavam combates até a morte nas arenas. No ano 393 da era cristã o imperador Teodósio, que aderira ao cristianismo, decretou a extinção dos jogos olímpicos, que tachou de pagãos. Mesmo após a queda do império romano, em 476 d. C, com a devolução da soberania à Grécia, não mais se cogitou da realização dos Jogos, que só vieram a ser ressuscitados em 1896, após grande empenho do nobre francês Pierre de Frédi, o barão de Coubertin, que é considerado o criador dos Jogos Olímpicos da era moderna, com a participação de atletas amadores de todas as nacionalidades.
Predomina nos Jogos Olímpicos o princípio, para muitos considerado o verdadeiro espírito olímpico atual, segundo o qual “o essencial não é vencer, mas competir com lealdade, cavalheirismo e valor”. A frase costuma ser atribuída ao barão de Coubertin, que criou o COI – Comitê Olímpico Internacional, entidade não governamental com sede na Suíça e que organiza os Jogos de quatro em quatro anos. Outra característica dos Jogos Olímpicos é o amadorismo, não se permitindo a participação de atletas profissionais, ou contratados para a sua disputa. Embora tenham enfrentado problemas como os boicotes por razões políticas, que os Estados Unidos e países ocidentais fizeram em 1980, nos Jogos realizados em Moscou, por causa da invasão do Afeganistão pela URSS, e a reposta dos países socialistas em 1984, quando estes foram realizados em Atlanta, nos EUA, as Olimpíadas só foram interrompidas durantes as duas Guerras Mundiais. E atualmente, atrasadas em um ano por causa da pandemia da Covid-19!
Uma importante constatação podemos fazer nas atuais Olimpíadas do Japão: o fato de as mulheres estarem cada vez mais dominando as competições, especialmente as do Brasil, em que são responsáveis pelos pontos que determinam a nossa melhor classificação atual. De quatro medalhas de ouro conquistadas, três foram por mulheres: Rebeca Andrade, no salto sobre a mesa, Martine Grael e Kahena Kunze, na vela e a da Ana Marcela Cunha, na maratona aquática – de 10 km! Nas medalhas de prata, que também determinam a escala a classificação geral, de quatro, duas foram conquistadas por mulheres. Outra interessante curiosidade foi o surgimento do primeiro gol olímpico em Olimpíadas, marcado pela atacante Megan Rapinoe, na vitória dos EUA contra a Austrália, na cobrança de um escanteio…







