Podem pisar

A discriminação está por toda parte.
Temos dezenas de amigos que, por falta de alternativa, moram em comunidades, expressão cínica para designar favelas e bairros que não contam com infraestrutura básica, como o fornecimento de água tratada, captação de esgotos, energia elétrica, galerias de águas pluviais, iluminação nos seus trilhos e vielas de acessos às suas ‘casas’ improvisadas. Sei que pede para nós escrevermos barraco. Preferimos, não.
A indignidade começa pela dificuldade extrema de acesso a essas áreas que, é verdade, são invadidas e ocupadas por quem não consegue dinheiro honesto para comprar um pedacinho de chão e levantar uns cômodos e se enfiar dentro com os seus parentes. Pensemos no que é escalar cem, duzentos degraus ou patamares feitos na enxada, no enxadão, nas encostas de morros. Um idoso; uma pessoa com problemas de mobilidade; uma PcD.
A gente achando que é insuportável, é de arrepiar, de fazer chorar, quem ama o seu semelhante, ver esse vídeo, em seus requintes de crueldade e de desprezo pela figura de dois pais, com as suas crianças, uma delas de colo.
“Põe essa porra de menina no chão”, vociferou esse carrasco vestido de farda policial. Um escroto, digno de ser imediatamente afastado de suas funções, juntamente com o outro, igualmente um cavalo arreado pelo rabo, para usar algo que eles entendem, mas que mancham a honra do povo mineiro.
Tivemos palpitações diante de tanta humilhação desses pais de família que, pelas imagens, devem ser amorosos com os seus filhos. Quantos traumas esses dois miseráveis da PM de São Pedro do Suaçuí, localizada no Vale do Rio Doce, imprimiram nas mentes e nas almas desses dois pititos.
Denunciemos esses canalhas. São servidores públicos e não capatazes e jagunços, da espécie do Bola, ex-policial e amigo do coração de um certo e desventurado goleiro.
Temos sido aquele senhor calmo, sentado no que entendem como calçada, tomado de medo e de desespero, sozinho, que se sentiu a pior das criaturas que, nada podendo fazer pelos seus pobres vizinhos sob a truculência do estado, coçou a cabeça.
Uma mulher corajosa entra em cena. Sua força vem de seu ventre.
Fonte: @goias.noticias.oficial e redes sociais





