Partidos de esquerda realizam atividade contra a escala ‘6×1’ neste sábado

Nesta sexta-feira (15), pela manhã, integrantes da União da Juventude Comunista (UJC) e do Partido da Causa Operária (PCO) foram às ruas do Centro de Franca, acompanhados por membros de movimentos sociais. Durante o ato, distribuíram panfletos contrários à escala de trabalho 6×1, defendendo a implementação de uma jornada semanal de 30 horas e convocando a população a participar de uma atividade semelhante no sábado (16).
Essa mobilização ocorreu em paralelo a protestos organizados em diversas partes do país e tem como principal objetivo reduzir a jornada de trabalho de seis dias com uma folga (6×1) para quatro dias de trabalho com três folgas (4×3). Organizações como o Movimento Trabalho e Dignidade destacam que a redução da carga horária, sem prejuízo salarial, é uma antiga reivindicação da classe trabalhadora. Argumentam ainda que o regime 6×1 causa impactos negativos na saúde mental e reduz significativamente a qualidade de vida dos trabalhadores.
No Congresso Nacional, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL), vem ganhando força. Já foram colhidas 221 assinaturas favoráveis à votação da PEC, número superior às 177 exigidas para o andamento da proposta.
A PEC sugere a alteração do artigo 7º da Constituição Federal para limitar a jornada regular a oito horas diárias e 36 horas semanais, com a adoção de uma semana de trabalho de quatro dias. O texto prevê ainda a possibilidade de flexibilização da distribuição das horas e redução da carga horária, desde que essas mudanças sejam negociadas coletivamente entre empregadores e empregados.
A campanha contra o regime 6×1, apoiada por setores populares e movimentos sociais, teve destaque em cidades como Recife, Caruaru, Garanhuns e Petrolina, em Pernambuco. Em Brasília, a concentração ocorreu na Rodoviária do Plano Piloto; em Belo Horizonte, na Praça Sete; e, em São Paulo, milhares de manifestantes tomaram a Avenida Paulista.
Em Franca, embora a manifestação tenha reunido um número menor de participantes, militantes da União da Juventude Comunista, ligada ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), e do Partido da Causa Operária foram às ruas convocar para um ato programado para o sábado (16). A escolha dessa data, em vez do feriado nacional, foi estratégica, considerando o maior fluxo de trabalhadores no centro da cidade após o feriado.
João Scarpanti, presidente do Partido da Causa Operária em Franca e ex-candidato a prefeitura pela mesma legenda, declarou:
“É fundamental que a esquerda volte a se manifestar. A classe trabalhadora está radicalizada e não suporta mais a ausência de uma esquerda que defenda seus interesses reais. Sem isso, os trabalhadores acabam sendo atraídos pela extrema-direita, que parece ser antissistema. Antissistema somos nós, socialistas e revolucionários. Os partidos de esquerda que colaboram para a paralisia do movimento operário têm lideranças pequeno-burguesas, desconectadas das demandas reais do trabalhador. Por isso, é crucial que puxemos essa luta, ganhemos a confiança da classe trabalhadora e avancemos, construindo uma frente única, mesmo com diferenças programáticas ou ideológicas.”
Gabrielle, militante da UJC e do PCBR em Franca, afirma que: “a luta dos trabalhadores nesse momento deve ser para além da extinção da escala 6×1, mas que deve ter como horizonte a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, em escala 4×3.” Coloca ainda que: “esta é uma mobilização nacional, e os atos estão ocorrendo em várias cidades. Ainda que em Franca as movimentações não tenham sido grandes ou numerosas, a cidade é um polo desse modelo trabalhista por meio de call-centers, no comércio, nas fábricas, e até mesmo para trabalhadores na informalidade. Assim, é necessário que este calendário de lutas se estenda aos trabalhadores e a juventude de Franca, mais afetada por esse modelo explorador.”
A atividade também contará com a presença de outras organizações, como o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
Isabella Uehara, presidente do PSOL Franca, declarou que: “O PSOL Franca está convocando o ato porque entende a urgência de dialogar com trabalhadores e trabalhadoras sobre o fim da escala 6×1. Porque precisamos que esse movimento ocupe as ruas pra além das redes sociais, somente assim conseguiremos colocar um fim nessa escala que exploratória. A classe trabalhadora precisa viver pra além do trabalho!”
Tito Flávio, histórico dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ex-candidato a prefeitura de Franca, declarou que:
“A luta pelo fim da escala 6×1, uma escala de trabalho desumana, é uma luta histórica a favor da redução da jornada de trabalho. A última conquista do povo brasileiro foi com a constituição em 1988, quando a jornada de 48h foi reduzida para 44h. De lá prá cá, só perdas, como a reforma trabalhista e a legalização das terceirizações irrestritas de Temer e a última reforma da previdência, do governo Bolsonaro. Enquanto boa parte do mundo, inclusive capitalista, assume que redução da jornada de trabalho e aumento de dias de descanso tem impacto favorável em termos de produtividade, qualidade de trabalho, redução de problemas de saúde, no Brasil, os grandes setores empresariais seguem na contramão, sangrando nossa juventude, roubando seu presente e expectativas de futuro. Fato é que, já há diversas categorias com jornada reduzida de trabalho, de médicos, advogados, bancários, jornalistas. É hora de se abranger o conjunto da classe trabalhadora. Esse amplo movimento e debate demonstra a falência também de nosso sistema político. Se houvesse um plebiscito sobre o tema, certamente seria aprovado por ampla maioria da população brasileira. Para além das articulações de cúpula, precisamos recuperar o protagonismo pela base, mobilizar e não retroceder das ruas, bairros, empresas, até que esse mínimo de justiça seja feito. Trabalhar menos para que todos trabalhem. Pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho.”
O ato está marcado para sábado, às 10h, com concentração em frente à Concha Acústica, na Praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro. A programação inclui panfletagem, debates políticos e outras ações de mobilização.







