“Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” (Mt 10,47).

Que bela e profunda súplica, a do cego Bartimeu! É o grito do pobre que confia na providência, bondade e misericórdia de Deus, tão presente nos salmos do Antigo Israel. A cena, narrada em Marcos 10,46-52, tem forte dimensão catequética e carregada de significados.
A cegueira, sentado à beira do caminho e pedindo esmolas, são indicações da extrema carência desse homem. Mas a sua pobreza não foi impecilho para que ele tomasse a iniciativa do encontro com Jesus, implorando-lhe a cura. O seu clamor insistente revela alguém que tem fé, sendo capaz de se desfazer da única proteção, o seu manto.
Jesus agiu com compaixão, interessou-se pelo pobre, ouviu a sua súplica e o curou. Enxergando, Bartimeu passou a seguir Jesus. A cura física atingiu também o seu coração, a sua consciência e a sua decisão, tornando-se modelo de discípulo. Só quem crê, vê o Senhor e confia na sua compaixão e no seu caminho.
Como Bartimeu, expressamos a nossa fé e a nossa confiança nas ações de Jesus. Só nele podemos encontrar a luz, o discernimento, a verdade e a liberdade. Ele é o sumo sacerdote que se compadece de nós, oferecendo sacrifícios e a sua vida para nos salvar (cf. Hb 5,1-2).
Não vamos deixar o Senhor passar sem procurar nele o sentido da vida, pois ele é o nosso Redentor e para onde devem se dirigir os nossos pensamentos, os nossos afetos, o nosso coração e as nossas atividades. Na liturgia e em nossas orações, clamamos com confiança como pobres que necessitam da sua misericórdia: “Senhor, tende piedade de nós”, Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós”. Ele vem ao nosso encontro e nos diz: “Vai, a tua fé te curou”. Reconciliados, alegres como o profeta Jeremias com as ações do Senhor, responsável pela volta dos exilados à sua pátria (cf. Jr 31,7-9), com a sua luz, seguimos o seu caminho.
Encerrando o mês missionário, rezemos por esta missão da Igreja: evangelizar, sua vocação e parte integrante da sua identidade.
“Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!”






