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Empresa francana de investimentos cresce, ultrapassa os 15 mil clientes e ganha projeção nacional

Por Vitor Hugo Ferreira

A Blue3 é uma empresa especializada em assessoria de investimentos fundada em 2009. A marca é uma das maiores operações da renomada XP Investimentos, ocupando o top 3 e é nacionalmente reconhecida pela qualidade dos serviços que presta. O que pouca gente sabe é que essa empresa, que hoje em dia conta com 400 funcionários espalhados por unidades em diferentes estados do Brasil, nasceu em Franca.

A Blue3 atingiu seu primeiro bilhão de reais sob custódia em 2018. No ano seguinte, a empresa que foi fundada por Leone Cabral e pelo francano Wagner Vieira, já havia triplicado o valor atingido. Em 2020 veio a importante fusão com a goiana LHx, empresa do mesmo segmento e, neste ano, a Blue chega na marca de R$ 10 bilhões sob custódia e tem mais de 15 mil clientes ativos. Após 12 anos no mercado e com uma significativa expansão, com sede em grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Brasília, além de forte presença no interior mineiro e paulista, a Blue3 tem uma ambiciosa meta de crescer em 530% o valor de ativos sob custódia, em 350% do número de clientes e em 189% a entrada de agentes autônomos de investimentos até o ano de 2023.

Pensando nisso, importantes mudanças já começam a acontecer e a mais expressiva delas é na mudança de nome e a modernização na identidade visual. A Blue que antes carregava o nome de Blue Trade, agora é Blue3. A partir desse novo cenário, toda a identidade visual da marca foi modernizada, trazendo horizontalidade e robustez. Em entrevista à Folha de Franca, Wagner Vieira contou um pouco mais dessa história de sucesso.

Leone Cabral e Wagner Vieira, sócios da Blue3

Folha de Franca – Conte-nos um pouco sobre como começou a história da Blue3 e o perfil dos sócios fundadores.

A história da Blue3 começou do encontro de duas pessoas Leone Cabral e eu – que tínhamos o mesmo propósito de vida. Ele, mineiro, foi morar com o pai em Franca para fazer faculdade. Para pagar as mensalidades, precisou trabalhar e iniciou sua carreira como vendedor de eletrodomésticos nas Lojas Pernambucanas. Eu nasci em Franca e comecei a trabalhar aos 12 anos de idade como empacotador de supermercado e com 15 fui para a Pernambucanas, onde conheci o Leone. Depois fui trabalhar no Banco Santander a convite do Leone, que já estava lá. Era assistente na sala de ações na área de investimentos e me tornei gerente. Nós dois crescemos muito juntos. Foi uma amizade que virou sociedade. Foi então que um amigo meu, que já tinha um escritório de assessoria de investimentos em São Carlos, contou sobre seu negócio e me incentivou a fazer o mesmo. Convidei o Leone e decidimos arriscar. Saímos do banco e montamos uma filial da Planner, em Franca, com o dinheiro que eu havia recebido de uma premiação do banco. Começamos a dar novas opções de investimentos e conseguimos trazer 90% da nossa base de clientes. Quando estávamos começando a crescer, veio a crise de 2008 e fomos à lona. Mas não desistimos e criamos a BlueTrade, em 2009, quando encontramos mais pessoas para trabalhar conosco. Acredito que ou você conquista ou você morre lutando. E nós fomos à luta e conquistamos. A Blue3 tem uma sólida trajetória de expansão. Chegou ao seu primeiro bilhão em custódia no ano de 2018 e alcançou a marca de R$ 3 bilhões em 2019. Em 2020, com a fusão com a LHx recém anunciada, o escritório chegou aos R$ 7,6 bilhões. E, em 2021, ultrapassou os 10 bilhões.

Folha de Franca – Qual é o tamanho da empresa hoje?

Número de funcionários, participação no mercado… A Blue3 está entre as três maiores operações da XP Investimentos. Atualmente, tem 10 unidades no país: Brasília, Franca, Goiânia, Patos de Minas, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, São José do Rio Preto, São Paulo Uberaba, Uberlândia. Temos mais de 15 mil clientes ativos, mais de R$ 10 bilhões sob custódia e mais de 400 funcionários.

Folha de Franca – Como você explica para o leigo exatamente o que faz a Blue3? E por que vocês escolheram essa área de atuação?

O propósito da Blue3 é oferecer possibilidades aos clientes de gerenciar o capital da melhor forma, contribuindo, assim, para que as pessoas construam um legado que seja aproveitado em vida e para as próximas gerações. A empresa oferece um serviço completo em assessoria de investimentos e tem uma equipe de profissionais que ajudam os clientes a expandir e gerenciar o patrimônio da melhor forma. Também oferece conteúdos exclusivos sobre atualização de mercado e educação financeira. Escolhemos essa área de atuação porque acreditamos que ajudando as pessoas a investir melhor estamos contribuindo para o futuro e podemos transformar vidas. É um setor que ainda tem muito potencial de crescimento no país. Queremos dialogar de forma mais direta com as pessoas que ainda destinam boa parte de seus investimentos aos bancos, oferecendo uma proposta diferente e que faça brilhar os olhos.

Folha de Franca – Na sua visão, o que representa para Blue3 ter nascido em Franca? Quais as dificuldades de se obter êxito longe dos grandes centros?

Representa muito. Franca está no nosso DNA e temos muito orgulho de nossas raízes. Com o mundo globalizado e cada vez mais tecnológico, não vemos tantas dificuldades de se obter êxito longe dos grandes centros, tanto que optamos por manter em Franca a sede da Blue3 Digital, que é responsável pela mesa de renda variável que atende todo o país. Mas para crescer precisamos expandir e abrirmos escritórios em grandes centros.

Folha de Franca – Os últimos anos não têm sido favoráveis aos brasileiros no aspecto econômico, com o agravante da pandemia, tudo ficou mais difícil. Mas foi justamente no período de 2018 a 2021 que a Blue3 obteve seu maior percentual de expansão. Qual os segredos desse sucesso no mercado?

Esse crescimento é resultado de uma cultura forte, que prioriza o atendimento ao cliente. Não poupamos esforços no campo da tecnologia da informação, com desenvolvimento de novas plataformas para auxílio aos clientes e assessores. Temos ainda um olhar muito atento para a padronização de processos, governança e gestão. A confiança de nossos clientes é o nosso maior ativo. Entre os escritórios no G-20 da XP, a Blue3 conta com um dos mais elevados níveis em seu NPS (Net Promoter Score), índice que mede o nível de satisfação dos clientes. A nota atual da empresa é 94,5 (o máximo é 100). Ser Blue3 é acreditar que não existe meta impossível e que juntos, podemos construir um legado histórico.

Folha de Franca – Mais recentemente vocês fecharam o maior acordo da rede XP ao incorporar a LHx. Como houve o contato entre as duas empresas? Já tinham conversas anteriores e uma boa relação? Como funcionou esse processo de incorporação?

A negociação durou alguns meses e foi formalmente anunciada em outubro de 2020. O negócio foi o maior na história da rede de escritórios associados da XP Investimentos. Com essa fusão, a Blue3 chegou a duas capitais muito relevantes onde a LHx já estava presente: Goiânia e Brasília, que estão entre os maiores PIBs do País. A incorporação está em linha com nosso plano de expansão, que vem dobrando ano a ano e é parte de um processo de consolidação do mercado. O negócio envolveu a troca de participações, dentro da cultura de partnership (que estimula que funcionários possam se tornar sócios) – um dos pilares da gestão da Blue3.

Folha de Franca – Vocês também fizeram algumas mudanças na identidade visual e nome da marca. O que vocês esperam com estas alterações, em que isso impacta na meta estipulada até 2023?

A revitalização da marca ocorre para marcar novo momento em que a empresa anuncia seu ambicioso plano de expansão até 2023: crescer em 530% o valor de ativos sob custódia, em 350% o número de clientes e em 189% a entrada de agentes autônomos de investimentos. Toda a identidade visual foi modernizada, trazendo horizontalidade, que simboliza consistência, superação e segurança, e robustez, que remete à força e coerência muito presentes no dia a dia do negócio da empresa. O conceito utilizado no projeto de rebrand (reformulação de marca) foi desenvolvido pela agência Enredo e pode ser considerado uma representação dos três estágios da vida de um investidor: acumular (evolução), rentabilizar (crescimento) e preservar (estabilização).

Folha de Franca – O percentual de endividados do país em 2020 fechou em 66,5%, segundo estudo da CNC (Conferência Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Por fim, há 20 anos no mercado, como é atuar num país que tem níveis tão baixos de conhecimento financeiro? E qual o ponto chave para o brasileiro (a) que não consegue sair do endividamento?

O brasileiro, de forma geral, precisa repensar sua forma de lidar com o dinheiro. A educação financeira não faz parte da nossa cultura. Por isso, atuar no Brasil é instigante. Temos muito a evoluir. O ponto chave para o brasileiro não sair do endividamento é justamente a falta de informação e de formação para gerenciar suas finanças. O primeiro passo para sair do endividamento ou mesmo para não entrar nele é economizar, entre outras coisas, a principal é não comprar por impulso e deixar de gastar com coisas desnecessárias, racionalizando na hora da tomada de decisão. Assim as pessoas conseguem poupar e ter condições de investir o dinheiro ou mesmo de comprar o que precisa em melhores condições e sem juros.

Frases

O brasileiro, de forma geral, precisa repensar sua forma de lidar com o dinheiro. A educação financeira não faz parte da nossa cultura.

O ponto chave para o brasileiro não sair do endividamento é justamente a falta de informação e de formação para gerenciar suas finanças.

Para sair do endividamento ou mesmo para não entrar nele é preciso economizar e não comprar por, racionalizando na hora da tomada de decisão

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