Em seu 8º mandato, Engler não descarta uma nova candidatura
Por Joelma Ospedal
Em alguns casos, ser um “político de carreira” adquiriu uma conotação negativa, em função de tudo que acontece na administração pública. Mas hoje vamos falar de uma honrosa exceção nesse cenário.
Para Roberto Engler, que cumpre seu oitavo mandato como deputado estadual por Franca, ter uma carreira política é motivo de grande orgulho. Afinal, não é para qualquer um ser eleito e reeleito tantas vezes consecutivas. Sua atuação como parlamentar ultrapassa os 30 anos e o fato de ter sido reconduzido ao cargo pelo voto popular seguidamente, mostra, como ele mesmo diz, que algo de certo ele está fazendo.

Mas engana-se quem pensa que, aos 77 anos, Engler está pronto para se aposentar. Embora não deixe claro que pretende se candidatar novamente – “Ainda é cedo pra falar sobre isso” – o deputado também não descarta a possibilidade: “A decisão de uma nova candidatura virá mais pra frente, depois de ouvir muita gente, família, assessores, amigos”. Pelos mesmos motivos, Engler frustra as expectativas de quem esperava que ele declarasse eventual apoio antecipado a algum nome da política de Franca.
Embora não revele seus planos políticos mais específicos, nesta entrevista Engler fala sobre as dificuldades e conquistas que marcaram suas mais de três décadas de atuação. Conta, também, de que maneira a vida o transformou no homem que é hoje, como enxerga a história e a relevância de Franca e, também, avalia brevemente a condução que o prefeito Alexandre Ferreira vem dando aos problemas ligados à pandemia.

Esse político tão conhecido de Franca por sua atuação profissional, tem uma vida pessoal discreta. Neste bate papo ele fugiu dessa característica e abriu um pouco da sua intimidade. Foi possível descobrir que Engler é amante da natureza, do convívio em família (Engler é casado com Heliana Engler e pai de Ana Paula, Roberto, Ricardo e Alex), fã de MPB e de um bom franguinho caipira com polenta e quiabo. Ele contou, também, que seu programa preferido num sábado à noite é um cobertor quentinho e bom entretenimento na TV, como filmes e séries.
E, enquanto os planos políticos do deputado são uma incógnita, uma coisa é possível prever sobre os próximos passos de Engler. Passada a pandemia, ele deve se esbaldar assistindo um jogo da Francana, no Lanchão. “Coisa que não faço há anos!”.
Folha de Franca – Engler, você está entre os deputados com mais tempo de mandato da Assembleia. Se fosse apontar os principais motivos para ter sido eleito e reeleito por 8 vezes seguidas, quais seriam?
Gosto de acreditar que se alguém continua por tanto tempo exercendo uma função pública é porque algo de correto faz. Penso que, no meu caso, o que busco, junto com a minha equipe, é dar atenção à população que me elege. A gente chega ao mandato pelo voto, mas eu repito sempre que voto não é causa do trabalho. É consequência. Então a gente tenta trabalhar da melhor maneira possível, pra se sentir realizado com o que está executando. O crivo popular a cada quatro anos e o julgamento do cidadão de Franca e da região apontam se estamos no caminho certo. Fico feliz em saber que é o que ocorreu ao longo de todo esse tempo.
Folha de Franca – O que você considera seu grande feito nesses mais de 30 anos como deputado? O que ainda falta realizar?
O que eu considero como grande feito não se realizou. E ainda bem. Tenho um orgulho imenso de ter impedido algo. É curioso, não é? Mas é verdade. Pra mim, a luta para evitar a instalação de três novos pedágios nas rodovias da região foi um grande desafio, uma grande batalha vencida com o apoio da população. Quando o Governo, que era liderado pelo meu partido na época, lança, do nada, uma ideia de implantar três novas praças de pedágio e, o mais grave e absurdo, sem nenhuma contrapartida, eu fiquei em uma situação difícil. Mas a resposta não poderia ser outra. Eu só poderia ficar ao lado das pessoas que confiaram em mim. Não importava ali se o governador Geraldo Alckmin era um companheiro de quase 30 anos, se o partido todo acreditava que eu ia me calar, se os membros do Governo se assustaram quando ouviram o que eu tinha pra dizer. Não importava porque não foram eles que me elegeram. Quem tinha me feito deputado novamente era o povo de Franca e região e a gente sabia que essa medida de onerar ainda mais esse povo não era a melhor. Foi por isso que eu não tive dúvidas, fui pra tribuna, bati firme e, graças a Deus, e à população, que foi para as rodovias protestar, tive êxito. Então, como batizei na época, aquele que eu considero meu maior feito foi o “panelaço da Mogiana”.
Folha de Franca -Qual seu maior arrependimento ao longo dessa sua trajetória?
Não gosto de falar em arrependimento. O arrependimento depende de saber o que ocorreria caso algo não tivesse acontecido de um jeito e fosse de outro. Ou seja, é puramente hipótese, porque a gente não sabe nada sobre aquilo que não aconteceu. E é aí que, muitas vezes, começa a fantasiar que teria sido melhor. Mas a verdade é que não dá pra saber. Por isso, não tenho arrependimentos.
Folha de Franca – Qual a principal diferença entre o deputado Engler do início da vida parlamentar, para o de hoje? E qual a diferença entre o Engler daquela época e o de agora?
São 30 anos de diferença, tempo suficiente para mudar, evoluir, tentar melhorar. E conseguir, creio eu. A gente apanha, dá trombada, tropeça, cai, levanta. E aprende. Então tanto o parlamentar quanto o ser humano são melhores do que lá no começo. Hoje, eu sou muito mais experiente nos dois sentidos. Sou um homem de fé, algo que se consolidou ao longo desse tempo. Porque a fé ajuda demais a gente a lidar no meio da política, que é um meio difícil, árido, muitas vezes até sujo.
Folha de Franca – Como você definiria a Franca de quando você começou e a Franca de hoje? A cidade progrediu de acordo com sua expectativa? O que falta para Franca ter um lugar de maior destaque no Estado?
A cidade progrediu demais. Éramos 200 mil francanos em 1990 e hoje somos quase 400 mil. Os avanços são muitos em todas as áreas. Muitas vezes, a gente olha demais para grama do vizinho e não repara no quanto a nossa é verde. É claro que a cidade carece de muita coisa e que tem muito a fazer. Mas Franca é uma cidade próspera, com uma ótima estrutura, bons indicadores sociais. E eu acredito que temos ótimo destaque em termos de estado. O que é preciso entender é que somos uma cidade de porte médio na maior unidade federativa do Brasil e que a nossa importância é relativizada se comparada a outras cidades 10, 15 cidades maiores, que se convertem em centros regionais mais amplos. Mas isso não faz com que Franca não tenha a sua relevância.
Folha de Franca – Especificamente nesse mandato, que já passou da metade, o que considera ser sua atuação mais relevante?
Este mandato é diferente de praticamente os demais, talvez um pouco mais parecido com o meu primeiro, mas, mesmo assim, um tanto mais radical. Não faço parte da base de apoio do Governo. Isso modifica a forma de atuar. Então eu vejo que a minha independência nas votações, me posicionando de acordo com o que eu penso de cada proposta avaliada pela Assembleia Legislativa é um destaque da atuação. Quando achei que não devia apoiar, não apoiei. Quando achei que devia apoiar, apoiei. De forma objetiva, comprometida com o que eu penso do assunto. Além disso, outra parte importante da atuação é a liberação de recursos para Franca e região. Por meio das emendas parlamentares, a gente consegue bons repasses, que são importantes para as cidades, hospitais, entidades. Há poucos dias mesmo, conseguimos que fossem pagos quase R$ 2 milhões para investimentos em Saúde. Isso é importante.
Folha de Franca – Se um deputado divulga um pedido que fez, pode ser considerado mero alarde. Se não divulga, é acusado de “não fazer nada”. Se divulga algum “repasse” que conseguiu, é questionado se foi ele mesmo que conseguiu ou se não seriam verbas já previstas. Quando tem um projeto aprovado “não fez mais que a obrigação”, quando não consegue aprovar “não tem força política! Como lidar com isso?
Veja só: muitas vezes, a gente tem quase que pedir desculpar por ser político. Porque as pessoas perdem a crença na política diante de tanta coisa errada que aparece toda hora. Eu não culpo o cidadão. É de desanimar mesmo. Então esse tipo de reação e cobrança que você diz é normal. O que a gente, minha equipe e eu, busca fazer é simples. Divulgar aquilo que realmente tem o nosso trabalho. Porque, assim, não tem jeito de errar.
Folha de Franca – E por que é tão comum haver ‘disputa’ de paternidade entre deputados, sobre projetos apresentados ou recursos obtidos? Como funciona isso dentro da Casa?
É parecido com o que disse agorinha. A disputa pode acontecer se mais de um deputado trabalhou no mesmo assunto. Porque não tem dono de obra. Tem quem trabalhou de verdade e, algumas vezes, tem quem diz que trabalhou. Procuro dar testemunho do meu trabalho. Atuar, comprovar e divulgar. Do que eu fiz, eu sei. Do que outro ou outra fizer, ele ou ela que fale. E bola pra frente!
Folha de Franca – Você pretende se candidatar novamente? Se não, quem você vai apoiar? Há, entre os políticos de Franca, um nome que considere merecedor do seu apoio?
Ainda é cedo pra falar sobre isso. No momento, o que eu quero é fazer o melhor mandato possível diante de tantas dificuldades que estão aí, atrapalhando não só o meu trabalho como o trabalho de todos os brasileiros. A decisão de uma nova candidatura virá mais pra frente, depois de ouvir muita gente, família, assessores, amigos. Ainda tem um tempo pra avaliar, sem pressa, consciente e racionalmente.
Folha de Franca – Depois de décadas como deputado, você está legislando há mais de um ano em período de pandemia. Que mudanças isso trouxe?
Ah, muda tudo, né? Mudou a vida de todo mundo, o trabalho de todo mundo, a rotina. Então é claro que muda a nossa também. Eu sou das antigas, eu quero fazer política olhando no olho, conversando de perto, entendendo o que o outro traz de problema, vendo a situação que pede a nossa intervenção. E isso fica prejudicado. Na Assembleia, as sessões à distância, as votações online, isso tudo é muito frio, muito diferente do que sempre foi. Prejudica demais. Por mais que a gente tenha formas de driblar essas dificuldades, fazendo audiência, reunindo, atendendo parceiros e lideranças por vídeo, eu sinto falta das pessoas. Eu entrei em política e estou nela há quase 40 anos por causa das pessoas e as pessoas a gente vê é ao vivo, de carne e osso, dando um abraço.
Folha de Franca – Como avalia a condução que vem sendo dada aos problemas ligados à pandemia, nos âmbitos municipal, estadual e federal? O que considera louvável e o que faria diferente?
Em termos federal e estadual, se estabeleceu uma guerra e, nesses casos aí, eu prefiro não avaliar. Em termos municipais, os desafios são enormes e se intensificaram nos últimos meses, com a chegada de novos tipos de vírus mais contagiosos. Então, mesmo diante de tantos percalços vividos pela nossa cidade, com um aumento significativo do número de casos, e de mortes, eu louvo as ações do prefeito Alexandre Ferreira. Avalio que, entre erros e acertos – sim, tem muitos de uns e de outros – ele está buscando enfrentar a situação, não tem se esquivado.

Engler by Engler
Livro de cabeceira: Bíblia Sagrada
Hobbies: Filmes e séries
Família: A coisa mais importante
Programa de sábado à noite: Cobertor quentinho e um bom entretenimento na TV
Tipo de música preferido: MPB
Gastronomia: Franguinho caipira com polenta e quiabo
Marca da personalidade: Crença na verdade como libertadora
Se defina em 3 palavras: Lealdade, respeito ao próximo, família








