
(Sl 50,12)
O tema da aliança é central na história de Israel. Deus promete proteção e salvação, e o povo é chamado a assumir como compromisso sua obediência e fidelidade ao projeto divino. Jeremias fala de uma nova aliança, imprimida nas entranhas e no coração, uma aliança de amor e de comunhão (Jr 31,31-34). Mas a plenitude da aliança é selada em Jesus Cristo, no seu sangue derramado na cruz para a remissão dos pecados e oferecido para a nossa redenção (Mt 26,28; Mc 14,24; Lc 22,20; 1 Cor 11,25). Temos acesso a esta graça mediante o batismo, e na celebração da Eucaristia, memorial da nova aliança, quando o Senhor nos oferece o seu corpo e sangue.
“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto” (Jo 12,24). A missão de Jesus foi dar a sua vida para nos salvar e nos congregar como povo de Deus. Ele é o grão de trigo que o Pai plantou na roça da humanidade.
Produzir fruto em Jesus é redimir o que o pecado destruiu. A sua missão é difícil de ser compreendida com os critérios humanos. Ele mesmo experimentou esta dificuldade: “Agora sinto-me angustiado. E o que direi? Pai, livra-me desta hora?” (Jo 12,27). Mas venceu a limitação humana sendo fiel e obediente: “Foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, Glorifica o teu nome” (Jo 12,27-28). “Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por tudo o que ele sofreu” (Hb 5,8). Pela sua fidelidade o Filho recebeu do Pai a glória. A glorificação é a manifestação do amor de Deus e a confirmação da missão de Jesus.
“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos” (Mc 10,45). O caminho de Jesus é o do serviço e da caridade fraterna. O sinal do grão de trigo que morre revela a sua entrega para nos salvar.
“Se alguém me quer servir, siga-me… Se alguém me serve, meu Pai o honrará” (Jo 12,26). De Jesus aprendemos a obediência e a fidelidade a Deus, aprendemos a servir com amor.
Na Eucaristia renovamos a aliança que Jesus nos ofereceu com o seu corpo e sangue. Ela é o sacrifício de Cristo, mas também da Igreja e de todos os fiéis. Somos grãos de trigo que morrem para gerar a vida. Oferecemos o nosso corpo, o nosso tempo, nossos dons, a nossa vida em favor dos irmãos e irmãs: esta é a nossa missão. “Eu vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso verdadeiro culto” (Rm 12,1). Crescer e produzir é sempre perder alguma coisa, pelo bem.
Minhas orações






