ColunasEstação Gospel

Sossegai

O mar não está pra peixe.

Expressões assim não saem da nossa boca; e da cabeça. O que é muito ruim.

Estando a entregar os pontos, perdemos para nós mesmos!

Situações desfavoráveis têm o poder de nos desorientar, de nos tirarem do sério e de nos fazer a pôr tudo a perder.

Nós é que damos essa força para as adversidades que, a nosso exemplo, são temporárias. Vêm e vão.

O que temos no coração, que a boca berra?

“… Pois a boca fala do que está cheio o coração.”
(Mateus 12:34)

Às dificuldades, provações, contrariedades e aborrecimentos de todas as tonalidades já deveríamos estar acostumados.

A prova de fidelidade ao Senhor, Nosso Pai, é fruto da fé.

É, mas tem hora que a coisa fica feia! Vamos morrer. Não temos como aguentar a barra de tanta coisa ruim que nos vem acontecendo. É o fim!

O fim mesmo das atribulações é chegado. Assim não fosse, seriam perenes, enquanto somente a misericórdia de Deus o é.

A teoria, na prática, é outra. É mesmo!

Renuncie ao seu pesaroso posto de vítima e venha comigo, na realidade que viveu, pela graça, a Missionária MARY ANN BAKER[i]!

Entre o Natal e o Ano Novo de 1831, em 27 de um dezembro[ii], como o em que estamos – ao calor recorde e apocalíptico -, no que seria um vilarejo, de atuais 754 habitantes, Loami, do condado americano de Sangamon, no estado de Illinois, Mary veio para ficar.

Em uma família de crentes, fora dos padrões de grandes proles, ela chegava para a alegria de dois irmãos e dos pais, batistas convictos, cheios de piedade.

A fortuna lhes não fazia graça. Brabo.

A tuberculose, amante das almas contraditoriamente tristes dos vendedores de sonhos, os poetas, sedutora e assassina deles ainda jovens adultos –  a necrologia abunda neles (!) – atacou os genitores da nossa figura central deste artigo de TRÊS AGÁS, da sua ESTAÇÃO GOSPEL de Franca. Levou-os, impiedosa e covarde.

Três órfãos na praça. Duas trágicas pancadas no mesmo lar. Demais.

Tiveram que tentar se virar, como um corpo sem cabeça e uma escola de diretor ausente. Eram meninos para assumirem tantas responsabilidades.

A partida inesperada dos pais não lhes tirou a firmeza da fé em Cristo Jesus. A recíproca da vida não houve, senão uma terceira fatalidade: a assustadora enfermidade que adora ocupar os porões e salões dos pulmões, a qual, nas civilizações antigas chegaram a ser vistas como castigo divino, na coubesse a Hipócrates, no século XXX a.C., a sua exorcização, voltou à pobre casa dos Baker. Fez um estrago terrível. Levou a óbito o único irmão de Mary Ann!

Em que mar revolto navegavam agora a nossa homenageada e sua irmã!

Se bem que ambas as manas fizeram o que estava dentro e fora de suas condições financeiras para salvar o irmão das garras da tuberculose. Mandaram-no, com as poucas reservas que tinham para se manter, para a Flórida, por seu atraente clima que pendula de tropical a subtropical e planícies cobertas por florestas e pântanos e mangues e de terras boas para a agricultura.

Talvez já corresse a crendice de que ‘todas as doenças vêm à sombra; e todas se curam ao sol.” Valeu o esforço, embora inútil pelo ângulo da recuperação do irmão.

Em Fanny Crosby, Bernad Ruffin[iii] reproduz um relato da indesejável experiência da compositora do Hino 578, da nossa Harpa Cristã, nestes termos:

“Embora nosso choro não fosse ‘como daqueles que não têm esperança’ e embora tivesse crido em Cristo desde menina e desejasse sempre viver uma vida consagrada e obediente, tornei-me terrivelmente rebelde a esse desígnio da divina providência. Eu disse, no meu coração, que Deus não me amava e nem aos meus”.

Quem de nós não murmura, reclama, ao defrontar com algum problema?

Mary tinha motivos de sobra para se sentir fraca. Mas, esquecida por Deus, jamais! Ela (e sua irmã, o que sobrou da família!) estava naufragando, afogada em fracassos materiais e emocionais.

Deus falharia com ela; ou com qualquer um de vocês, diletos amigos, seguidores e leitores meus?

Trago palavras de exortação da Carta aos Romanos:

“Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim?[iv]

A murmuração entrega, de bandeja, a nossa falta de fé.

É quando precisamos do Senhor Deus é que ele, em sua infinita bondade, vem com as suas provisões. Sua mão abençoadora pousa sobre nós! As trevas se dissipam; a tempestade se acalma; a fome se consome na abundância de víveres!

Até os aproveitadores da boa-fé alheia – para não dizer dos ingênuos e mentalmente preguiçosos – costumam se aproveitar dessas fases negativas para repetirem – menos para eles – que a crises geram oportunidades!

O melhor para nós quem sabe e tem para nos oferecer é o Senhor!

O socorro da Jerusalém dos Santos veio a Mary Baker, quando tudo estava perdido. Recordemos o que ela mesma anotou para a história de sua vida e como testemunho de cristã: “Mas, a própria voz do meu Mestre veio em seguida acalmar a tempestade no meu coração rebelde e me trouxe à calma de uma fé mais profunda e a uma confiança mais perfeita”.

O choro que durou noites inteiras começou a regar um novo jardim no terreno de sua devoção à Palavra de Deus.

O seu professor de Escola Bíblica Dominical, Horatio Richmond Palmer, recomendou a Mary que preparasse hinos ou louvores que tivessem a ver com os temas da cada lição bíblica em estudos pela igreja, a Batista de Chicago.

O agir de Deus, ontem e hoje – e como para sempre será!, entrou na parada. Uma das lições tratava de “Cristo acalmando a tempestade”. Coincidência? Para os homens; e de baixa fidelidade; ou nenhuma.

Estava a guerreira mulher tocada pelo Espírito Santo. Tudo concorria para o seu bem, bem de acordo com as suas devastadoras experiências.

Foi estudar a lição mencionada para, de imediato, encontrar semelhanças vívidas de sua acidentada história de vida até ali. Escreveu-as. Pôs-se a poetizar em “Master, the tempest is raging”.

A voz da tempestade cede à do Mestre! Era Jesus no barco de Ann, tanto quanto pode estar no seu, prestes a naufragar, eu sei; e sinto!

A letra do Hino 578, na sua portuguesa e tradicional versão entre nós, que é dos anos 1903, é do Missionário William Edwin Entzminger[v], está assim traduzida:

SOSSEGAI

Oh, Mestre, o mar se revolta,

As ondas nos dão pavor!

O céu se reveste de trevas,

Não temos um salvador!

Não se te dá que morramos?

Podes assim dormir,

Se a cada momento nos vemos

Já prestes a submergir?


As ondas atendem ao Meu mandar:

Sossegai!

Seja o encapelado mar

A ira dos homens, o gênio do mal,

Tais águas não podem a nau tragar,

Que leva o Senhor, Rei do céu e mar,

Pois todos ouvem o Meu mandar:

Sossegai! Sossegai!

Convosco estou para vos salvar;

Sim, sossegai!


Mestre, na minha tristeza,

Estou quase a sucumbir;

A dor que perturba minh’alma,

Oh!, peço-te, vem banir!

De ondas do mar que me encobrem,

Quem me fará sair?

Pereço sem Ti, oh, meu Mestre!

Vem logo, vem me acudir!


Mestre, chegou a bonança,

Em paz eis o céu e o mar!

O meu coração goza calma

Que não poderá findar.

Fica comigo, ó, meu Mestre,

Dono da terra e céu.

E assim chegarei bem seguro

Ao porto, destino meu.


Uma peça de derramado lirismo deixaria qualquer um maravilhado. E, caindo como luvas, sensibilizou o seu Professor Horatio, dantes referido, musicalmente instruído por seu pai e por sua tia, que fora graduado na Academia de Música Rushford e da qual se tornou diretor aos vintes anos de idade. Ele, que havia começado a cantar aos nove anos, em corais, e que, saindo da menoridade civil já compunha também, colocar a música nos escritos da irmã de congregação, Mary Ann, foi extremamente natural.

– Ouçamos sossegadamente o casamento de letra perfeita e de música irretocável, na voz de Adriano Camargo:

Pelos objetivos desta subeditoria da ESTAÇÃO GOSPEL, do NOTÍCIAS DE FRANCA –  a sua Folha -, láureas sejam oferecidas ao celebrado cantor das cruzadas pelo Evangelho de Dwight Lyman Moody[vi], que incluiu ‘Sossegai’ em seu hinário ‘Cânticos e Solos Sacros’, em 1881.

Imagem: Editora Mundo Cristão[vii]

Deus é com cada um de nós, daqueles que n’Ele creem, para nos salvar de todo mal e situação. Assosseguemo-nos neste Deus de amor!

A paz do Senhor!

Théo Maia


[i] Crédito em favor de hilliscombsnestor.com

[ii] Divergem os hinólogos e outras fontes nesse dado. Para a ‘Crente Batista’, ela teria nascido em 16 de setembro de 1831.

[iii] Nasceu em Washington em 22 de novembro de 1947 e morreu em 4 de maio de 2019. Escritor, educador, teólogo e pastor protestante.

[iv] Romanos 9:20

[v] Um dos seis missionários batistas pioneiros no Brasil, que nasceu no Dia de Natal de 1859, na em Carolina do Sul, EUA, faleceu aos 11 de janeiro de 1930, na serrana Petrópolis, RJ – cf. https://www.luteranos.com.br/

[vi] Proeminente figura religiosa no cenário nacional e internacional do século XIX.

[vii] https://www.mundocristao.com.br/

Dr. Theo Maia

Advogado Previdenciarista (OAB-SP 16.220); sócio-administrador da Théo Maia Advogados Associados; jornalista; influenciador social; diretor do Portal Notícias de Franca; bacharel em Teologia da Bíblia; servo do Senhor.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo