Lockdown dá origem a nova categoria de “traficantes”

A noite cai, ruas quase desertas. O clima é de tensão, medo. Alguns mascarados são vistos caminhando. Outros, mais ousados, se dão ao luxo de abrir mão das máscaras.
De repente, um carro se aproxima em baixa velocidade. Vidros escuros fechados. Por precaução, o motorista dá uma volta no quarteirão.
A área está limpa. Não há policiais, nem potenciais delatores por perto. Ciente de não estar sendo observado, o motorista para na esquina perto do ponto de venda.
Segundos depois, o fornecedor sai por uma porta e caminha sorrateiro, olhando para todos os lados com a encomenda debaixo dos braços.
Ele se aproxima do carro e dá um sinal: o motorista abaixa o vidro discretamente, pega o produto, efetua o pagamento e sai em alta velocidade. Crime perfeito não deixa suspeitos.
Não, a cena descrita acima não aconteceu diante de uma boca de fumo. O fornecedor não era um traficante, o cliente não era um viciado em drogas.
No lugar de maconha, crack ou cocaína, no interior do pacote entregue pelo fornecedor ao cliente havia alguns pacotes de macarrão, cigarro, carne e, claro, algumas latinhas de cervejas.
Mais do que nunca, o “jeitinho francano” foi acionado e abusa da criatividade para enganar a polícia, digo, a fiscalização, em inéditos dias de lockdown. Triste é perceber que essas artimanhas continuam colocando em risco a população.
Está certo que as pessoas estão cansadas, não aguentam mais ficar trancadas sem trabalhar, sem poder aliviar o estresse do dia. Mas esse comportamento é temerário e torna as medidas adotadas pelos governantes ineficazes. O número de mortes e de infectados em Franca não para de crescer. Enquanto não houver conscientização geral, vai ficando cada dia mais difícil lutar contra esse inimigo que é a Covid-19.
Impossível apontar culpados ou soluções mágicas. A única certeza é que devemos, sim, evitar aglomerações, usar máscara, álcool em gel, lavar as mãos com frequência e orar a Deus para que ele proteja nossas famílias.






