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Três Agás – Sou Feliz

Sou feliz com Jesus.

Este costuma ser o nome pelo qual é conhecido o Hino 560 da Harpa Cristã.

Deu trabalho para distinguir e, portanto, identificar esse louvor que, acreditem, recebe outras numerações em outros hinários, a exemplo do Cantor Cristão[i].

A proposta desta subeditoria da ESTAÇÃO GOSPEL de Franca é garimpar e por a público o que esteve por trás de cada composição e capa e alma melódica de um hino evangélico.

Sendo assim, revista-se das vestimentas e se municie das ferramentas e equipamentos de um escavador de culturas, desta feita, em sítios ecológicos pisados, cultivados e irrigados pelos rios de lágrimas do colega Horatio Gates Spafford, advogado de nomeada e investidor imobiliário de sucesso, de Chicago, do estado norte-americano de Illinois, que também lecionava Jurisprudência Médica na Universidade de Lind, nos dias de hoje, a Chicago Medical College.

Você acha que é a pessoa mais sofrida do mundo? Vítima de tudo o que é sabidamente ruim. Não, ninguém é tão perseguido, infeliz e azarado quanto a sua pessoa. Meu Deus!

O rico e miseravelmente testado Jó[ii], o pai da paciência, em toda a sua saga de padecimentos, choraria se ouvisse uma partezinha de sua existência.

Sucessão de desastres

E se lhe disser e apresentar uma família de cristãos que teve tragédias sobre tragédias e não abandonou a fé?

Titanic, que virou filme, como o maior navio de passageiros do mundo e que ficou e é mundialmente lembrado porque, entre a noite de 14 de abril e a madrugada de 15 de abril de 1912, afundou em sua viagem inaugural de Southampton, no Reino Unido, rumo a Nova York, nos EUA, após colidir com um iceberg.

Há parescência das trilhas dos Spaffords com o longa-metragem, que faturou prêmios cobiçados, dentre os quais onze estatuetas do Oscar, notadamente a de melhor filme do ano de 1998.

Castigo não lhes veio a cavalo, mas pelo grande incêndio ocorrido em 1873, no seu condado de Cook, o segundo mais populoso dos Estados Unidos.

Seu patrimônio foi como que reduzido a cinzas. Primeira das tragédias. Início de sua fase de teste de fidelidade a Deus.

As famílias desabrigadas e desalojadas do local, e eram muitas, tiveram a ajuda de Horatio Gates Spafford e de sua esposa, Anna, compartilhando com elas o que lhes sobrara do infortúnio de fogo, mesmo tendo que sustentar Dorothy, Mary, Bunny e Baby May, suas quatro filhas.

Anna caiu doente. Sua saúde instável pedia por novos ares e horizontes.

Juntaram sonhos com a recomendação médica de mudança. O destino da família foi a Europa.

Para quem estava ferrado até no osso, desistir seria a opção imediata.

Errado.

Dois anos antes, o aviso de sucessivos acontecimentos funestos foi à sua casa, como febre de escarlatina, para lhes tirar o único filho homem. Era 1871, sim.

Lá vem a terceira provação do casal Horatio e Anna. Jesus!

Abatidos, a lógica dos homo sapiens aduz que seria o seu fim.

A consolação que do Espírito Santo tinham não tinha medidas. Sua confiança no Altíssimo aumentava em meio a essa sequência de infelicidades[iii].

“Não temas, porque eu estou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.”

Final de novembro de 1873, especificamente no dia 22, reerguendo-se em suas economias, partiria toda a família para a planejada viagem ao Velho Continente.

Negócios de última hora impediram o embarque do conceituado causídico, empresário e servo do Senhor no Ville du Havre em direção à França. A amada mulher e as filhas nesse navio partiram.

O que aparentava estar bem escondia a quarta e maior tragédia dos Spaffords!

Atlântico adentro, dormiam os passageiros do presumivelmente luxuoso navio, que nunca poderiam cogitar o seu fim com o violento choque com o Lochearn, uma embarcação inglesa. O Ville foi a pique, tamanho o estrago resultante da terrível colisão em alto mar.

Pressentindo a morte de todos, Anna juntou-se com as quatro filhas, de joelhos dobrados, para, em oração, suplicar por sua salvação ou preparação para os seus óbitos, de acordo com a vontade de Deus.

As águas levaram as suas quatro filhas e a maior parte dos passageiros e da tripulação.

Um milagre estava reservado para Horatio, ora, ora!

Flutuando na escura noite e no sangrento oceano, Anna, resgatada, escapou.

Bênçãos

“Salva sozinha.”

Dentre os pouquíssimos sobreviventes do acidente marítimo a chegar em País de Gales, na Grã-Bretanha, a pequena e telegráfica mensagem que principia este tópico, do presente artigo, participava o desesperado pai e marido da maior de todas as suas tragédias familiares.

Correu ele para o reencontro com a querida e maternal e indescritivelmente enlutada parceira de uma vida, Anna, na Inglaterra.

Não estava só. Amigos de verdade sentiram as suas dores. Foram ter com ele, para o consolar e amparar e a Anna, como convém ao temente a Deus fazer.

Consta que, de consoladores em forma de pessoas, voltaram para os seus lares consolados pela dupla do sofrimento implacável e sequenciado.

Não é que durante a viagem para rever Anna, Horatio, também em pleno mar, na consoladora presença do Espírito Santo, manifesta em suas incessantes orações, de sua cabine no navio, teve a grata inspiração e oportunidade de compor o hino Sou Feliz, na origem It is well with my soul?

A letra é esta, com pequenas variações, a depender das traduções e de certas (falta de) licenças concedidas aos que criam pelo espírito:

SOU FELIZ

Se paz a mais doce me deres gozar,

Se dor a mais forte sofrer;

Oh, seja o que for, Tu me fazes saber

Que feliz com Jesus sempre sou.


Sou feliz com Jesus.

Sou feliz com Jesus, meu Senhor.


Embora me assalte o cruel Satanás,

E ataque com vis tentações;

Oh, certo estou, que apesar de aflições,

Que feliz com Jesus sempre sou.


A vinda eu anseio do meu Salvador,

Que em breve virá me levar;

Ao céu, onde vou para sempre morar

Com remidos na luz do Senhor.


Versões existem maiores, com esta estrofe, de piedosa adoração:


Meu triste pecado, por meu Salvador

Foi pago de um modo cabal.

Valeu-me o Senhor, oh, que amor sem igual!

Sou feliz, graças dou a Jesus.


A melodia tocante é de autoria do célebre compositor Philip Paul Bliss, o forte jovem de madeireiras e serrarias, que decidir ser músico ao ouvir um piano aos dez anos de idade, filha de Clearfield County, Pensilvânia. Ministerialmente, um batista da gema.

O Senhor tinha mais surpresas para o obstinado irmão em Cristo Horatio Gates Spafford.

Não teve as recompensas e milionários bens e benefícios de Jó. Não os desejava, seguramente.

Escravo da liberdade que há em Cristo

Em 1888, ano da decretação da abolição da escravidão nestas terras de pau-brasil e de maracutaias e de degeneração da moralidade da classe política, o criador da letra de Sou Feliz descansou no seio de Abraão.

Sabe onde ele estava?

Em Jerusalém, onde fundou uma colônia, com a missão de servir aos pobres da Terra Santa, em que havia (e há, em tempos de guerra provocada pelos terroristas do Hamas!) tanta miséria.

Esse legado é o tema do livro Jerusalém, de Selma Lagerlöf, que recebeu o Nobel de Literatura; que resistiu à Primeira Guerra Mundial e aos vigorosos ataques de gafanhotos, com a sua cozinha alimentando mais de duas mil vidas diariamente.

Fé e Trabalho[iv] informa que a American Colony se transformou no maior hospital de feridos naquele época de triste memória.

A descendência da Família Spafford seguiu a missão dos cabeças Horatio e Anna, tendo a bandeira da Cruz Vermelha no muro da parte da frente e, dizem, na cúpula histórico prédio da colônia da Terra Santa e que, atualmente, é um hotel, o qual não se afastou da comissão de atender crianças carentes residentes em Israel.

Lutero, o monge da Alemanha, precursor do Protestantismo, tivesse escutado SOU FELIZ, voltaria a declamar sua mesma frase: a música empresta asas à pregação do Evangelho.

Não pode ele, pode você. Vai no play, e com fé, irmã(o) em Jesus, na pegada acústica de Marcelo Cacilias[v]:

É impossível terminar Três Agás desta edição surdo para Tiago[vi], o irmão de Cristo:

“Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam.”

por Théo Maia


[i] Cantor Cristão, o hinário dos batistas no Brasil.

[ii] Arábia, a leste de Petra (hoje, noroeste da Arábia Saudita) ou mais provavelmente em Basã, a leste do mar da Galileia e ao sul de Damasco (hoje, oeste da Jordânia, ou sul da Síria).

[iii] Isaías 41:10

[iv] https://www.trabalhoefe.com.br/testemunho/sou-feliz-com-jesus/#:~:text=Conhecido%20como%20%E2%80%9CSou%20Feliz%20com,at%C3%A9%20os%20dias%20de%20hoje.

[v] https://www.youtube.com/watch?v=yUsSzu8PmpE

[vi] Tiago 1:12

Dr. Theo Maia

Advogado Previdenciarista (OAB-SP 16.220); sócio-administrador da Théo Maia Advogados Associados; jornalista; influenciador social; diretor do Portal Notícias de Franca; bacharel em Teologia da Bíblia; servo do Senhor.

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