Sindicato aciona MPT por situação precária de trabalho no PS ‘Álvaro Azzuz’
O Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Municipais de Franca acionou o Ministério Público do Trabalho para que o órgão investigue as condições de trabalho dos servidores que estão atuando na linha de frente do combate da covid-19 no Pronto-socorro Municipal “Dr. Álvaro Azzuz”. No documento, com data de ontem, 25 de maio, o Sindicato pede que o MPT instaure inquérito civil público para apurar “ilícitos praticados pelo município de Franca”. Entre as irregularidades apontadas pelo sindicato está a situação precária de trabalho dos servidores da saúde, constatada por Fernando Nascimento, presidente do Sindicato dos Servidores, em visita ao PS. “Desde o início da pandemia os servidores estão trabalhando em sobrecarga. No domingo, quando deveriam estar atendendo 26 servidores, eram apenas 12. É uma situação desumana para os servidores que, além de todos os riscos, ainda não conseguem atender os pacientes com a qualidade necessária”.
Além da sobrecarga, que para Fernando Nascimento é desumana, o Sindicato dos Servidores ainda aponta a falta de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para os servidores e até cadeiras e torneiras. Entre os equipamentos em falta apontados pelo Sindicato, estão máscaras, roupas privativas e kits de proteção. “Estamos falando de servidores que estão correndo riscos. Já tivemos quatro servidores do PS que morreram em decorrência do vírus e outros sete estão afastados com a doença, sendo que temos a informação de que dois deles estão intubados. É claro que está havendo um erro na condução da situação”, afirmou Fernando Nascimento.
No documento encaminhado ao MPT, o Sindicato alerta ainda sobre o que considera “agressões psicológicas” sofridas pelos servidores. “Além de todo o esforço corporal dos funcionários municipais, os mesmos estão sofrendo agressões psicológicas dos pacientes, por não ter o serviço que antes possuíam”.
Também é apontada na representação do Sindicato a falta de treinamento ou protocolo adequado para todos os procedimentos que devem ser realizados pelos servidores que atuam na linha de frente do combate ao coronavírus. “Além de todos os problemas que existem no Pronto-socorro Álvaro Azzuz, a Prefeitura ainda abriu vagas na UPA do Aeroporto, sem um espaço adequado para esse tratamento, colocando em risco os servidores”, finalizou Fernando Nascimento.
De acordo com o Sindicato dos Servidores, também deve ser feita uma representação sobre a situação atual do Pronto-socorro Infantil, onde os servidores também estão trabalhando acima da capacidade. Somente hoje, de acordo com dados da Prefeitura, 59 pessoas aguardavam por um leito no Pronto-socorro “Dr. Álvaro Azzuz”, sendo 43 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 16 para enfermaria. Dos pacientes que aguardam por uma vaga em UTI, oito estão intubados. Já na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Aeroporto são três pacientes à espera de uma vaga em UTI. Por dia, em média, 500 pacientes com sintomas da covid-19 têm procurado atendimento no PS Municipal.
A reportagem da Folha de Franca entrou em contato com a Prefeitura em busca de um posicionamento e informações sobre a representação feita pelo Sindicato dos Servidores, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.









