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ALEGRIA E TRISTEZA

Assim como no desenho Divertidamente (Disney Pixar 2015) encaro diariamente alegrias e tristezas em um misto de sentimentos que nem sempre é possível entender. Infelizmente, no meu cérebro não há bonequinhos controlando os pensamentos, porque até seria bem mais fácil explicar as explosões de raiva, de nojo, de apatia que às vezes assolam a minha vida (e a de qualquer pessoa).

Choro porque estou triste, choro de felicidade e lidar com todos estes sentimentos é o que me faz humana – o faz humanos a todos nós. Nesta última semana, fiquei muito feliz com várias coisas, mas especialmente com o time feminino (eu disse feminino) do Corinthians. As “Brabas” como são carinhosamente chamadas conseguiram vencer o Palmeiras (!) por um a zero e sagraram-se campeãs da Taça Libertadores da América – tetracampeãs. Como não ficar feliz com tamanha conquista? Ser as rainhas da América desbancando as últimas campeãs é para ser muito comemorado.

Pela conquista o time ganhou 8 milhões de reais, prêmio bem abaixo dos times masculinos, mas uma vitória a ser celebrada. Hoje, com resultados cada vez mais expressivos, as mulheres conquistaram respeito nos gramados, assim como em outras tarefas do mercado de trabalho. No futebol já recebem melhores salários e estão presentes nos espaços de decisão, nas comissões técnicas, nas diretorias, nas equipes de arbitragem etc…

É verdade que ainda há muito o que fazer, mas a Copa Feminina de 2023 foi uma mostra de como as mulheres se tornaram protagonistas de um esporte ainda dominado por eles. E para a nova fase da Seleção Brasileira, a CBF convidou o técnico do Corinthians Arthur Elias que deixa o clube para se dedicar exclusivamente a este novo ciclo, pensando na Copa de 2027 e para o seu lugar, virá a técnica Tatiele Silveira que estava no Colo-Colo do Chile, mas que teve passagens pela Ferroviária e Santos. Sucesso a eles!!!

Da alegria para a tristeza em questão de segundos. Ainda estava comemorando o título, quando li uma notícia que me causou muita revolta. Uma senhora de 91 anos com Alzheimer ficou 10 dias, vou repetir, 10 dias desemparada porque o filho dela de 69 anos morreu dentro de casa e ninguém por 10 dias deu falta dos dois. O caso ocorreu em Santa Catarina. Que mundo é este? Enquanto começava mais uma guerra, enquanto o Corinthians era campeão esta mulher estava sem comer, sem beber água, sem alguém para lhe fazer a higiene. Fiquei indignada com a família (ela tem netos) e com os vizinhos.

Sabendo que a mulher tinha Alzheimer como eles demoraram 10 dias para chamar socorro?! Em um mundo tão tecnológico quanto o do século XXI é inadmissível o que ocorreu com esta senhora e seu filho. 10 dias sem contato com a família? Não, não há justificativa para os familiares não perceberam que o homem não respondia mensagens ou ligações. A tecnologia precisa ser usada a favor em casos como esses.

É preciso haver monitoramento, caso não haja cuidadores. Já existem chips que podem ser colocados em roupas ou joias. Se em um passado recente muita gente ficou com medo de ser “chipada” tomando vacina (o que era uma bobagem, inclusive) afirmo para vocês que essa precisa ser uma decisão madura de todas as famílias.

Pode facilitar na hora de encontrar uma pessoa desaparecida, seja idoso, adulto, criança. Esta história mexeu tanto comigo que me fez brigar com meus filhos e avisa-los: se eu e o pai deles ao envelhecer não tivermos mais condições de cuidar de nós mesmos, que eles coloquem câmeras, chips ou o que eles quiserem. Mas que não nos deixem morrer sozinhos e só termos nossos corpos descobertos 10 dias depois…

PS: Todo dia é tempo de escrever e refletir sobre alegrias e tristezas, mas nesta semana prestem atenção aos Jogos Pan-Americanos e vejam quantas alegrias, nossos(as) atletas estão trazendo para o Brasil. 

Soraia Veloso

Doutora em Serviço Social, especialista em estudos sobre mulheres e escritora. @soraiavelosocintra

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