‘Alexandre fez gol contra de bicicleta com esse projeto’, diz Pelizaro sobre subsídio pra São José
O subsídio que o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) quer repassar para a empresa São José, por meio do que chamou de “Programa Emergencial de Auxílio Transporte aos Usuários de Serviços Públicos”, continua gerando críticas ferrenhas de políticos e da população em geral. A Folha de Franca ouviu vereadores, inclusive da base de apoio ao prefeito, ex-candidato à Prefeitura, líderes de entidades civis e advogados, e realizou, também, enquete em suas redes sociais. Todos se mostraram contrários ao projeto que prevê subsídios de R$ 1,3 milhão para a São José, usando verba destinada para o combate à Covid. No caso da enquete, 90% responderam que eram “contra” o projeto.
O vereador Gilson Pelizaro está entre as vozes mais veementes de crítica ao projeto. Para ele, o prefeito fez um “gol contra de bicicleta com esse projeto”. O político realizou, inclusive, uma reunião online com outros colegas para debater o assunto. “O pior momento da pandemia na cidade… Tirar dinheiro de superávit da Covid para abastecer o cofre da empresa São José… É um contrassenso! No momento que pede para fechar a cidade por causa de contaminação, oferecer gratuidade para as pessoas andarem de ônibus. Sendo que o ônibus é um grande polo de contaminação”, disse ele. Que, assim como vários outros vereadores, se posicionou contra o projeto, mesmo considerando que as comissões de Finanças e Legislação e de Justiça e Redação deram parecer favorável ao projeto.
Repercussão negativa
Veja, abaixo, o que dizem as outras autoridades e personalidades ouvidas ontem pela Folha de Franca:
“Eu acho um absurdo, em um momento desse, encaminhar esse projeto para a Câmara Municipal para nós darmos subsídio que está claramente beneficiando a empresa São José. Nós com tantos problemas, vendo a dificuldade que estamos vendo a cidade de Franca”, disse Zezinho Cabeleireiro (PP).
“A prioridade hoje é a Covid, é o combate a pandemia… Talvez seja mais viável discutir isso em outro momento”, afirmou Carlinhos Petrópolis (PL).
“Particularmente não acho que é o momento de discutir o programa”, disse Marcelo Tidy (DEM).
“Antes de tudo eu sou um vereador, antes de ser líder do prefeito, minha função é a de vereador. A comissão deu parecer favorável, mas devemos nos perguntar, é realmente hora disso? Eu, como vereador, ainda não fui convencido”, disse Ilton Ferreira (PL) líder do prefeito na Câmara.
“Esse projeto não é o momento para ele, todas as nossas forças têm que ser direcionadas e investidas nas pessoas que estão sofrendo com a Covid”, disse o vereador Donizete da Farmácia (MDB).
“Existem informações que falta dinheiro para comprar até lençóis para a área da Saúde e esse dinheiro poderia ser utilizado para isso. Não concordo com retirar verbas da Saúde para esse fim”, disse o presidente da Udecif (União de Defesa da Cidadania de Franca), Sidney Elias.
“É preciso toda cautela, respeito e transparência que o assunto exige. Aprovar um projeto como esse, sem discussão, sem a participação da população. Minha posição é clara, sou contra o formato que está sendo feito”, disse João Rocha em suas redes sociais.
“Essa proposta é descabida! Além de ser totalmente fora do momento, é um projeto mal explicado, que deixou muitas perguntas importantes sem resposta. Afinal, quantas pessoas seriam beneficiadas pelo programa? Quais os critérios exatos para ter direito ao benefício? Como seria realizada a distribuição desses passes? Qual valor de passagem seria cobrado?”, disse advogado especialista consultado pela Folha de Franca.
Mais informações
Em busca de mais transparência para o projeto, o Observatório Social de Franca solicitou que seja realizada uma Audiência Pública para discutir os detalhes da proposta. “Encaminhamos um ofício à Câmara solicitando que seja realizada uma Audiência Pública e, assim, o projeto deve tramitar em rito normal. Em nome da transparência acreditamos que o ideal é que ao menos uma audiência seja realizada para debater o assunto com a população. O transporte público é sempre um assunto muito tormentoso. É explicar de onde o valor de R$ 1,3 milhão foi tirado, de onde foi tirado que esse seria o valor para suprir a necessidade do programa e mais informações detalhadas mesmo”, disse o coordenador executivo do Observatório Social, William Karan Júnior.
“A proposta inicialmente é interessante e beneficiará aparentemente a população, mas é preciso lembrar que para isso ele está tirando a verba de um lugar para outro. Além disso, ele estará aportando recursos na empresa São José, já que ela é a única que faz o transporte público em Franca”, explicou Tales Bittar, graduado em Gestão de Políticas Públicas e especialista em Economia Urbana. “É preciso considerar que esse repasse será utilizado exclusivamente para a empresa de ônibus e poderia ser usado para, por exemplo, ampliar o número de leitos e beneficiar a sociedade como um todo, especialmente que neste momento, com as medidas restritivas, não serão realizados alguns atendimentos que o programa beneficia”, completou.
‘Naturalidade’
Procurado para comentar o assunto, o prefeito Alexandre Ferreira informou, através de sua assessoria de comunicação, que “recebe com naturalidade os comentários e opiniões, além de estar sempre aberto ao diálogo e às indicações que venham a agregar valor à melhoria da qualidade de vida da população”.
Em nota, a Prefeitura informou ainda que não tem deixado de investir em ações e medidas para o enfrentamento a Covid-19. “Esse projeto vem sendo trabalhado há meses para contemplar as pessoas, que serão beneficiadas pelos programas municipais como Renda Franca. A princípio, o objetivo do projeto é para o atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade social, agravada pela pandemia. Não há data definida para o início do pagamento do benefício, tendo em vista o cumprimento das medidas restritivas previstas no decreto municipal e o impedimento de aulas presenciais.”
São José
A São José informou que todo ano faz o pedido de revisão do valor da tarifa, conforme previsto no contrato de concessão firmado com a Prefeitura de Franca, para que o valor da tarifa seja revisto devido aos reajustes de preços que acontecem normalmente, salários e demais itens necessários para manter os serviços. A revisão anual é prevista em qualquer contrato de concessão na área de transporte. “Por conta da pandemia, como se trata de um fato extraordinário e que afetou a todos, além do pedido de revisão da tarifa, a São José tem protocolado, todos os meses, pedido de auxílio emergencial para cobrir, ao menos, os custos operacionais e, assim, manter a frota nas ruas para atender a população. A concessionária não recebeu retorno e os pedidos encontram-se em aberto”, informou a empresa, por meio de nota.
Sobre a situação de pagamentos dos colaboradores, que apenas alguns dias atrás ameaçaram deflagrar uma greve, a São José informou que “apesar das dificuldades em cumprir com os nossos compromissos financeiros com os nossos fornecedores e colaboradores, recorremos ao mercado financeiro e negociamos com fornecedores para manter o serviço à população francana, lembrando que é um serviço essencial. Hoje, não temos pendência com os nossos colaboradores”.
A empresa afirmou ainda que só tomou conhecimento do projeto de auxílio através da imprensa.









Como assim? Usando verba de combate à pandemia?!!!! Superávit da Covid? Por acaso todas as medidas foram tomadas, desinfecção de ruas, distribuição de materiais de higiene e alimentação aos vulneráveis, máscaras … entre tantos outros que até leigo sabe que é necessário fazer para conter a pandemia…. Isso não é um gol de bicicleta contra (essa é a visão política da coisa, que no momento para mim é irrelevante), é muito pior (e precisa ser providenciado para que se utilize a verba de maneira certa para que Franca tenha chance de respirar, na saúde e na economia)!!!!