De Abraão a Netanyahu – Conquistas, terrorismo e revanches
Acionando a BBC:
O conflito entre palestinos e israelenses atingiu uma tensão sem precedentes nos últimos anos.
Israel declarou, nesse sábado (7/10,) que entrou em estado de “preparação para a guerra” depois de o Hamas, o grupo militante islâmico que controla a Faixa de Gaza, ter lançado um ataque surpresa no início do dia.
Dezenas de militantes armados do Hamas se infiltraram por terra no sul de Israel.
O exército israelense respondeu com ataques a alvos em Gaza e deixou os reservistas de prontidão[i].
A Reuters, a divisão de notícias e mídia da Thomson Reuters, entrando:
Israel promete ‘poderosa vingança’ após o dia mais mortal em 50 anos
O pior ataque a Israel em décadas desencadeou uma guerra que ambos os lados prometeram intensificar. Centenas de pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas em ambos os lados depois que Israel respondeu com ataques aéreos massivos[ii].
É assim que os principais portais de notícias do globo terrestre estão chamando a atenção para esse clima e ações violentas e cruéis de guerra no Oriente Médio, de novo.
Do lado debaixo do Equador, recorto o que o UOL posta como manchete sobre a matança humana de coirmãos:
Combatentes do Hamas fazem massacres e mantêm reféns no sul de Israel.
De acordo com as autoridades de Israel, há presença de atiradores palestinos em 22 localidades no sul do país[iii].
Afinal de contas, para início da indesejada conversa, de boca fechada e coração a la bateria de escolas de samba, quem está brigando com quem e por quê briga?
Antes da luta, vem a identificação dos algozes, que dormem com o inimigo, em uma e na outra parte dos territórios que fazem divisas com a Jordânia, o Mar Mediterrâneo e o Egito.
Medindo 5.970 km2 e 365 km2, respectivamente, Cisjordânia e Faixa de Gaza, de um lado, e o Estado de Israel, com os seus 22.072 Km2, de planície costeira, regiões montanhosas, vale do Jordão e planaltos e depressões, da outra banda. O ringue está armado literalmente até os dentes.
Os cenários dos ataques, por terra, ar e mar não se desmontam, a não ser com o poder terrível de destruição dos equipamentos bélicos que disparam entre si, com civis, turistas e infelizes distraídos de todos os lugares de bucha de canhão.
Atenção às ordens e pronunciamento oficial do líder máximo dos combatentes:
Por Israel:
O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse que o país “estava em guerra”.
Hamas, ocupante da Faixa de Gaza, pode falar:
Mahmoud Abbas, o presidente palestino, declarou que o seu povo tem o direito de se defender do “terror dos colonos e das tropas de ocupação”.
Estopim
A Palestina, localizada entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo, é considerada sagrada para muçulmanos, judeus e católicos; pertenceu ao Império Otomano e era ocupada, principalmente, por árabes e outras comunidades muçulmanas.
A forte imigração judaica, encorajada pelas aspirações sionistas, começava a gerar resistência.
Bem antes do término da Primeira Guerra Mundial, os britânicos fizeram várias promessas aos árabes e judeus que, mais tarde, não foram cumpridas. Não tinha como honrar o prometido: o Reino Unido já tinha dividido o Médio Oriente com a França, entre outras razões.
Isso causou um clima de tensão entre nacionalistas árabes e sionistas, que levou a confrontos entre grupos paramilitares judeus e gangues árabes.
Viria a Segunda Grande Guerra, no final dos anos 1930.
Mais lenha na fogueira e gasolina para debelar o incêndio de origem e profundas raízes de ideologia religiosa foi despejada na região historicamente conturbada.
Sionistas, quem são?
Vou de Bíblia, fonte irrefutável de informações e de conhecimentos.
¹ Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
² E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.
³ E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
⁴ Assim partiu Abrão como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã.
⁵ E tomou Abrão a Sara, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e chegaram à terra de Canaã.
⁶ E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam então os cananeus na terra.
⁷ E apareceu o Senhor a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera[iv].
Estamos nos portões da história dos hebreus ou judeus, que começa por Abraão em 2.100 antes de Cristo.
É da Mesopotâmia, hoje, região ocupada pelo Iraque, Irã e Jordânia, entre os Rios Tigre e Eufrates, que ele parte em busca da Terra Prometida.
Havia de fazer rastros.
Andar, andar e muito, continuamente, por quarenta anos. O GPS era Deus; os pés, os seus eleitos, que contavam 600 mil homens. Ao recensear mulheres e crianças, somavam aproximadamente 3 milhões de pessoas.
Gente a dar com um pau. Para constituir uma nação, nada mal!
O grande comandante dessa multidão, por ser obediente ao Senhor, sabia que seria como um Pai para esse povo descrito como inumerável[v].
O nosso Pai na Fé abre a empreitada da prodigalidade filial por Isaque, que lhe deu Jacó (depois, Israel). É este sujeito esperto e experto, de coragem e expedientes arrojados, que beiravam à desonestidade, quem deu paternidade a José, personagem e referência bíblica de superação e de vitórias realmente extraordinárias, o mesmo que você reavivou na mente, o que foi jogado numa cisterna, por seus irmãos e que, de escravo do Faraó, recebeu deste a nomeação, posse e direito de assumir a governadoria do Egito. Os pormenores dessa passagem narradas nas Sagradas Escrituras, ou tem de cor consigo ou poderá apreciar e por à sua consideração no seu tempo.[vi]
Abraão fez bem feito a sua parte na explosão da sua descendência.
Para quem abandonou a parentela, para seguir em direção do incerto, perigoso e improvável, estava para lá de bem na fita com Deus.
A expressão sucessor é que define o compromisso moral e a aliança espiritual abrâmicos de geração em geração, como a transferência de direitos, nomes e titularidades, obrigações e poderes, de uma para outras pessoas.
As promessas do Eu Sou estavam na linha de produção. Os seus representantes do Velho Abraão eram dados a serem conhecidos, das maneiras mais inusitadas.
Uma etapa seguinte lhes aguardava sob a ira de seu Faraó.
A contradição irreal viria pelo aparente paradoxo de decisões daquele poderoso e afrontoso governante.
Caíra o Manda-Chuva egípcio no acertado erro de dar lugar e condições para que os hebreus lavrassem a terra. A prosperidade não tardou. Bênçãos se multiplicaram entre os indesejáveis exilados. E não paravam de crescer demograficamente!
Estava dando ruim para o Faraó.
Ele fez das tripas, coração, para barrar a expansão dos israelitas, de sua submissão à situação e estado de escravos, do edito para matar todos os primogênitos deles e, do que, ninguém poderia delirar sequer, seria salvo o bebê que mudaria toda a história hebreia.
Moisés, significado de criança, muito bem! No hebraico, a etimologia perfeita para ‘retirado das águas[vii]’.
Com uma forcinha das desobedientes parteiras e de soldados, o menino foi ter como sua ama a sua verdadeira mãe! A mãe social dele era apenas a filha do Faraó, que lhe proporcionou crescer, desenvolver, estudar dentro das mordomias e do incomparável padrão de vida do reino do Egito.
A sua descendência israelita era de sangue, de valores perenes, de uma fidelidade canina, expresso pelo amor aos pais de pets, e de mães também.
Bastou ter visto um seu conterrâneo ser cruelmente ferido, e espancado por um egípcio, para que Moshe perdesse a cabeça e matasse o agressor. Com a mesma pena foi jurado pelo avô postiço poderoso. Fugiu para Midiã, como registra o Êxodo[viii].
À exceção do próprio Deus, nada é eterno.
O vingativo Faraó bateu as botas. E, durante o período em que Moisés esteve foragido, o povo judeu continuou debaixo do jugo carrasco do Egito.
Deus se compadeceu de seu povo. Ouviu o seu clamor.
Hora do menino do cesto voltar à cena, agora em meio à sarça que ardia em fogo. O sítio era o Monte Horebe, onde se pode encontrar a pequena capela da Santíssima Trindade e, ao seu pé, o Monastério de Santa Catarina, na península do Sinai, no país egípcio.
“… Vai, te envio ao faraó para tirar do Egito os israelitas, meu povo.[ix]”
Ele foi, e na companhia de Arão, seu irmão. Destemido, certo da incumbência que o Senhor lhe confiara, esteve com quem tinha autoridade suprema para liberar o seu povo da escravidão; o que resultou, primeiramente, inútil.
A virada da história revira, antes, os pensamentos de Moisés. Como esquecer os brados do Senhor, pronunciando o seu nome sílaba por sílaba: Moi-sés, Moi-sés!
O que respondeu nunca ousou esquecer: Eis-me aqui, Senhor!
Se o chamado lhe viera do Senhor e se a ele acolheu, recolhendo-o em seu coração, era esperar a hora d’Ele entrar em ação.
O Egito foi varrido por dez pragas enviadas diretamente por Deus.[x]
Faraó, e quem suas vezes fez,
cedeu, bambeou. Entregou os pontos para não perder o povo de sua origem.
Comeram a páscoa e partiram em direção ao deserto, à sua pátria prometida por e para todo o sempre.
Que terra lhes esperava? Que terra seria a que lhes estava reservada e aos seus iguais na etnia, crenças e costumes? Nação pede território, que pede Estado, que pede Governo independente, soberania!
Quarenta anos de caminhada e de exaustiva peregrinação, como que, em determinados momentos, em círculos e por atalhos, desvios e obstáculos físicos, geográficos e opostos pelos que iam encontrando pelo caminho e que neles despertavam medo.
Uma nação estava em movimento, a deambular, no modelar conjunto de características culturais, tradições, língua, costumes e de todos os fatores que tecem e amarram, em definitivo, a identidade pela qual os indivíduos se identificam e se sentem partes de um grupo. Israel em marcha!
O povo organizado estava aflito para ter um Estado. Não que não o tivesse.
Toda a sua oficialidade e institucionalidade, de controle e administração, ordenamentos jurídicos foram dados e recepcionados, apesar das pontuais rebeliões e protestos, frutos de suas lembranças coloridas dos tempos da escravidão em face da empreitada coletiva objetivando a propriedade dos territórios que Deus lhes assegurara seus, pela visão prejudicada pelo calor escaldante e frio das noites intermináveis no deserto, nos valores e montes. Eram um Estado; e sabiam.
Seria imoral esconder que, diante de repetidas rebeliões, O Criador e Todo-Poderoso ponderou que deveria exterminar aquele povo ingrato, embora caminhante.
O ainda jovem adulto Moisés não queria outra nação. Seu juramento estava de pé com Deus.
Entrou em oração para clamar, aos prantos e com a alma carregada de dor, para impedir o intento do Senhor, a quem servia[xi]. Pediu e encontrou o perdão de todos os erros e malfeitos dos compatriotas de Israel.
Combateu o seu bom combate, a tudo resistiu, até à região de acesso a Canaã. Contemplou-a das campinas de Moabe ao monte Nebo, ao cume de Pisga, que está em frente a Jericó!
Via Moisés a terra que o Senhor jurou dar a Abraão, Isaque e Jacó. E este mesmo Deus não lhe deu de ao menos por ela pisar e passar.
Traçado todo o perímetro e confrontações do que seria Israel, agora Estado em estado de legítima ocupação aos bandos e tribos, pela perspectiva religiosa e pelas ordenanças e promessas do Senhor ao Primeiro Mandatário eleito e não empossado, Moisés, nem de longe e caricaturalmente análogo ao brasileiro de Minas Tancredo Neves[xii], culminava essa trajetória épica com a morte e sepultamento daquele líder e escritor inspirado do Pentateuco[xiii], em um vale da área de Moabe.
Israel, em sua casa, quis ser dirigido por juízes e reis, fiéis e infiéis, feito à nossa cara e jeito de ser nessas andanças por aqui. É verdade, não é filósofa S. Sato?
Deram-se mal. Nós também, com os nossos ditadores e pseudodemocratas, de verde oliva e de camisas vermelhas, igualados na infidelidade e atos de nepotismo, improbidades de todo tamanho e espécie, corruptos por natureza, que saltam do berço esplêndido, para assaltar a Pátria Amada.
Dissolutos e insatisfeitos, avarentos e lazarentos, tiveram dispersões, emigrações e diásporas[xiv], o preço de suas equivocadas decisões e ingratidão com o que o Senhor Deus lhes prometera, dera e garantia e garante.
Dispersos pelos continentes todos, à luz e direção da Torah, o que a nós é o Velho Testamento, somente em 14 de maio de 1948, o Estado Judeu poderia anunciar a sua formação e constituição, sob a sua divisão, enquanto Palestina era, em estado judeu e, na outra porção, estado árabe.
Os judeus aceitaram a Resolução da ONU, de 29 de novembro de 1947.
Desde então, vivem sob as ameaças e ataques desses vizinhos árabes, instalados na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, conforme anotado anteriormente.
O terrorismo, como a imprensa e mídia social de todo o planeta publicam, a contragosto, é a bomba-relógio que dispara dentro e nas fronteiras com Israel, segundo a sede de sangue e de terras alheias dos palestinos árabes material e supostamente religiosos extremamente radicais.
FIM DE SEMANA SANGRENTO
Principais pontos de conflito entre palestinos e israelenses
A Palestina, tal qual redesenhada a partir de 1947, não é um Estado. O Direito Internacional e regras de observância indeclinável por todos os países regularmente estabelecidos, ainda que totalitaristas e politicamente fechados, o confirmam.
Jerusalém sempre foi um dos principais pontos de discórdia e uma fonte permanente de surtos de violência entre israelenses e palestinos, esclarece a reportagem da BBC[xv].
Mas estes não são os únicos obstáculos, como ficou claro pelo fracasso das últimas negociações de paz entre os dois grupos em Camp David, nos Estados Unidos, em 2000.
À época, o então presidente americano Bill Clinton não conseguiu estabelecer um acordo entre Arafat e o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak.
Parecem inconciliáveis:
Jerusalém: Israel reivindica a soberania sobre a cidade (sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos) e afirma que é a sua capital depois de tomar a parte oriental em 1967. Os palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital deles.
Fronteiras e terreno: os palestinos exigem que o futuro Estado esteja em conformidade com as fronteiras anteriores a 4 de junho de 1967. Israel rejeita a proposta. O que fere, rigorosamente, o Estado de Israel, reconhecido vencedor da Guerra dos Seis Dias, o que é lamentável de se relembrar nesses dias de choro e de pesar por todos os cantos da Terra. E seus territórios jamais serão o que está fora daquelas medidas e limites biblicamente definidos e empossados.
Assentamentos: as colônias, ilegais de acordo com o Direito Internacional, foram construídas pelo governo israelense nos territórios ocupados por Israel após a guerra de 1967. Na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, há mais de meio milhão de colonos judeus. Esses atos, é de se convir, são a falta de acatamento do que os israelenses acordaram havia 56 anos!
Refugiados palestinos: quantos refugiados existem, depende de quem está fazendo essa conta. A OLP diz que há 10,6 milhões, dos quais quase metade estão registrados nas Nações Unidas. Os palestinos sustentam que os refugiados têm o direito de regressar ao que hoje é considerado como território de Israel. Israel, na contramão, diz que abrir as portas destruiria a identidade do Estado judeu.
Numa palavra: os extremistas árabes perseguem a retomada das terras que, pela Palavra de Deus, jamais lhes pertenceram. É um retrocesso para este e incessantes morticínios. Estadistas e suas instâncias decisórias não os apoiam.
Os judeus, que ainda esperam pelo Messias, o seu Salvador, dão a ver que resquícios da personalidade de Jacó neles sobrevivem, não lhes fazendo entender de senso de justiça e de longanimidade, ao, cobertos de peles de cabritos, guardarem o guisado saboroso de Rebeca, intuitivamente posto à mesa nos assentamentos para os seus cidadãos em terras que disseram deixar para os seus irmãos, e nossos, do que sobrou da paz, perdão, da Palestina.
Esperam por outro Moisés, por que, se temos Josués e Calebes?
Na dúvida e na tristeza que governa a humanidade nestes intermináveis dias de massacres, de operações de guerra e de atentados terroristas, oremos pela paz, em nome de Jesus!
por Théo Maia
[i] https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl311k1dkno
[ii] https://www.reuters.com/world/
[iii] https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2023/10/combatentes-do-hamas-realizam-massacres-e-fazem-refens-no-sul-de-israel.shtml
[iv] Texto de Gênesis 112/1:7
[v] V. Gênesis 15/4:6
[vi] Do Cap. 30 ao 46, de Gênesis
[vii] Êxodo 2/5:10
[viii] 2:15
[ix] Êxodo 3/9:10
[x] Êxodo 7/12
[xi] “: Ó Senhor, por que se acende o teu furor contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande força e com forte mão? Êxodo 32/11
[xii] Eleito Presidente do Brasil pelo Colégio Eleitoral, indiretamente, portanto, em 1985.
[xiii] Gênesis (origens), Êxodo (do Egito), Levítico (dos levitas, sacerdotes), Números (recenseamentos dos hebreus) e Deuteronômio (“segunda lei”)
[xiv] A primeira delas, a invasão do exército da Assíria ao reino de Israel em 721 a.C.
[xv] A leitura desta matéria é recomendada: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl311k1dkno









