A mensagem da cruz
Abra a tua Harpa.
Ao som das batidas do seu coração, no ritmo deste órgão humano que deve ser a sede e o recesso do Espírito Santo, abra agora a sua boca.
Comecemos, juntos, em fervente oração e êxtase de alma, a jornada prazerosa e edificante nas nascentes, regos, riachos e rios rumo ao mar de louvores ao Senhor Jesus, os quais estão imortalizados na Harpa Cristã.
Não é evangélico. Mas é cristão, pressinto. Nem uma coisa nem outra. Professa crença alguma. Igualmente, sinto.
Consinto em lhe incitar a ler o que me ponho a registrar, pela digitação saltitante dos dez dedos, cada um em sua tecla, como nos amarelados tempos de cursos de datilografia.
Já percebeu que vêm saudosismos por aqui.
História e histórias são e têm dessas, se são a ciência ou estudos do passado e da atualidade das ações e, acrescento, reações dos homens.
Em TRÊS AGÁS, o núcleo de tudo é a história dos hinos ou canções que compõem a HARPA CRISTÃ.
Vou dar uma escapada pelo acostamento e, no hall desta saga lítero-musical, contar que, pelo início do Século XX, a Assembleia de Deus utilizava o hinário chamado Salmos e Hinos, que também era usado por outras igrejas evangélicas históricas.
Já em 1921, os pioneiros decidiram criar um hinário, destacando as doutrinas pentecostais da denominação. Era a vez do Cantor Pentecostal, sob a orientação de Almeida Sobrinho, com 44 hinos e 10 corinhos, impressos pela tipografia Guajarina. Nossos papiros musicados, santo memorial, o avô materno da Harpa Cristã!
Paro para revirarmos a biografia do editor citado.
Soprando o pó, dos guardados de 1917, dou de cara com dois números de A Voz da Verdade[i], meio de comunicação de papel e um dos recursos usados de evangelização da Assembleia de Deus do Brasil, ao comando editorial do Pastor José Manoel Cavalcante de Almeida, que seria de 1875 (meu Deus, Século 19!), o nosso inesquecível Almeida Sobrinho, um ex-batista de Belém, do Pará.
Tendo entrado cisco nos olhos, que são lágrimas vindas do fundo d’alma que sente a presença dos anjos, soprando flautas e dedilhando harpas, preciso de controle emocional para anotar que o hinário mais manuseado, aberto, fechado, de folhas dobradas na ponta superior, com marcadores de páginas, carregado em bolsas e bolsos, esquecido em bancos de igrejas e de carros, é mesmo a HARPA CRISTÃ, a rainha desta subeditoria da ESTAÇÃO GOSPEL de Franca! Linda, maravilhosa, encantadora!
A quantidade de hinos que lhe dão corpo varia de 640 a 682, a exemplo da minha, que chega a este número. Eu acho é pouco!
É difícil escolher, realmente, inventariar os hinos que melhor nos compareçam como arrebatadoras manifestações de nossas vidas em aliança e comunhão com o Pai das Misericórdias e que, ao mesmo tempo e lugar, em um quarto fechado ao sol e à luz, ao calor dos que nos abandonam na hora que mais queremos colo e abraços, elevando-nos à presença de Deus, recobram os nossos sentidos para o renovo ou despertamento dos sentimentos que emanam das verdades, sinais, prodígios e ações extraordinárias.
Mamãe mandou bater nesta daqui, mas eu sou … grato ao Senhor Jesus pela justificação dos meus pecados, dou a largada para a corrida em favor do tempo que ganhamos com o que é do Reino de Deus, puxando pela memória, mediante pesquisas e estudos especializados em hinologia, por sua veia de cânticos evangélicos.
Aperte o play do vídeo, e aprecie em duas versões:
Que tal na voz e arranjos de Alan Jackson:
A MENSAGEM DA CRUZ
Rude cruz se erigiu
Dela o dia fugiu
Como emblema de vergonha e dor
Mas contemplo essa cruz
Porque nela Jesus
Deu a vida por mim, pecador
Sim, eu amo a mensagem da cruz
Até morrer eu a vou proclamar
Levarei eu também minha cruz
Até por uma coroa trocar
Desde a glória dos céus
O Cordeiro de Deus
Ao calvário humilhante baixou
Essa cruz tem pra mim
Atrativos sem fim
Porque nela Jesus me salvou
Nesta cruz padeceu
E por mim já morreu
Meu Jesus, para dar-me perdão
E eu me alegro na cruz
Dela vem graça e luz
Para minha santificação
Eu aqui com Jesus
A vergonha da cruz
Quero sempre levar e sofrer
Cristo vem me buscar
E com Ele, no lar
Uma parte da glória hei de ter
Que escreveu esse louvor e em que circunstâncias?
The Old Rugged Cross, A Velha e Rude Cruz, de brasileira não tem mais que a sua tradução para o português.
Este é o Hino 291 da Harpa.
O louvor mais popular de todo o século passado. Sabia disso?
O pastor metodista norte-americano George Bennard o concebeu por completo.
Sua melodia veio à luz primeiro que a sua letra, visto que começou a ser escrita no outono de 1912 e, recebendo do Senhor Deus aquela musicalidade pungente, conseguiu a proeza subjetiva de melhorá-la e a dar por concluída.
Batendo continência:
Bennard e a esposa, oficiais do Exército da Salvação, pregando o Evangelho nos Estados Unidos e no Canadá, preferindo e aceitando permanecer a maior parte de suas vidas e ministério em Michigan (estado americano localizado na região centro-oeste do país; é conhecido como o Estado dos Grandes Lagos) e Wisconsin (da região centro-leste americana, limita-se com Michigan e o Lago Superior ao norte, Lago Michigan a leste, Illinois ao sul, e com Iowa e Minnesota a oeste), segredam que a inspiração desse hino, A Mensagem da Cruz, veio quando ele, George, voltava de um culto muito especial, nas expressões dele. Era 1913. Estava envolvido em cultos de avivamento, mesmo em Nova York, a Corinto da era digital.
Revolvamos a sua fala ou o que historiadores e hinólogos desenterraram para o nosso júbilo e aquisição de conhecimentos:
“Ele passou por uma experiência difícil, que o levou a refletir seriamente sobre o significado da cruz e sobre o que o apóstolo Paulo queria dizer quando falou de entrar na comunhão dos sofrimentos de Cristo”, relata Kenneth Osbeck[ii], pela referência do ilustre jornalista e pastor Silas Daniel, que prossegue a nos informar:
“Quando Bennard contemplou essas verdades, ele se convenceu que a cruz, mais do que um símbolo religioso, é, sim, e muito, o Coração do Evangelho.”
O Hino 291 foi apresentado, pela primeira vez, em Pokagon aos 7 de junho daquele 1913. Foi ouvido, fora daquela felizarda igreja, no Instituto Evangelístico de Chicago, como preliminar de uma grande convenção. Pronto, explodiu nos púlpitos, altares, naves, casas e ruas do poderosamente sedutor EUA.
Dia haverá que, se permanecermos firmes na obediência aos preceitos e mandamentos da Palavra de Deus, trocaremos a nossa cruz pela coroa da vida eterna.
Vêm mais histórias e canções celestiais por essas bandas da Estação Gospel de Franca.
Amém?
[i] Na primeira edição trouxe a matéria de capa: Jesus é quem batiza no Espírito Santo e fogo. Depois de algum tempo, deu lugar ao Boa Semente – v. http://programahistroriadaharpacrista.blogspot.com/2017/08/programa-06-historia-de-almeida-sobrinho.html
[ii] Pág. 97, cap. 16, de História dos Hinos que Amamos, pela CPAD







