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O Amor vê mais longe que a simples razão

Celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos, é celebrar a Festa da Catolicidade, ou seja, a reunião de muitas pessoas na unidade. Catolicidade significa universalidade. A Igreja Católica é, também, Apostólica, porque confessa a Fé dos Apóstolos e procura vivê-la e testemunhá-la. Contudo, sempre de novo a pequena barca da Igreja é abalada pelo vento das ideologias, que parece até estar condenada a afundar. Cristo, porém, permanece na barca e a defende de todos os perigos.  

Pedro, o pescador da Galileia, “foi o primeiro a professar a fé em Cristo” e a receber as chaves para abrir e fechar as portas do Reino dos Céus.  “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Esta não é uma declaração fruto do raciocínio, mas uma revelação de Deus Pai ao humilde pescador da Galileia, que fez de Pedro uma rocha firme sobre a qual Jesus edificou a sua Igreja. A Igreja não é uma comunidade de perfeitos, mas de pecadores que se devem reconhecer necessitados do amor de Deus.    

Paulo, está consciente de ser Apóstolo por vocação, isto é, não foi por autocandidatura, nem por encargo humano, mas por eleição divina. Também hoje Cristo precisa de Apóstolos prontos a sacrificar-se a si mesmos, sem titubear na fé.  Na Carta aos Gálatas dirá: “Vivo na Fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,20).

A sua fé não é uma teoria ou uma opinião sobre Deus, bem ao contrário, a sua fé é o impacto do amor de Deus sobre o seu coração. Na Carta aos Efésios, nos diz que “é preciso atingir uma fé madura, pois não podemos mais permanecer como crianças inconstantes, levados por qualquer vento de Doutrina” (Ef 4,4). Paulo deseja que os cristãos tenham uma fé responsável, uma fé adulta. Aquele que vive uma fé adulta vai contra a corrente da moda.

O vazio interior é um dos grandes problemas do nosso tempo e para superar esta situação é preciso revigorar a interioridade da pessoa humana. Para o Apóstolo Paulo, a caridade excede toda ciência (cf. Ef 3,17s). O amor vê mais longe que a simples razão. O Mistério do amor de Cristo tem uma vastidão cósmica, ou seja, Cristo Crucificado abraçou o Universo inteiro, em todas as suas dimensões. 

Que Pedro e Paulo, nos obtenha abundantes graças, para que amemos cada vez mais a Santa Igreja, Corpo Místico de Cristo e mensageira de unidade e de paz para toda a humanidade. Que a intercessão de São Pedro e São Paulo obtenha para a Igreja inteira uma fé fervorosa e coragem apostólica, para anunciar ao mundo a verdade que é Deus, origem e fim do Universo e da História, Pai misericordioso e fiel, esperança de Vida Eterna. Amém! E viva São Pedro e São Paulo!

Fonte: Homiliário, Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo, Bento XVI, Solenidades.

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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