O porco Firmino

Dia 1º de março desse ano, adotei um porco. Dei-lhe o nome de Firmino.
Firmino é muito carismático, sorridente, exemplar e de iniciativa. Com 3 meses de vida, só fala porcoguês, mas está aprendendo português rapidamente.
Mês passado, o acompanhei na inauguração de uma loja na cidade e foi um sucesso. Todos queriam tirar foto com o pequeno animal. Uma influencer bem maquiada, unhas de silicone e cabelos loiros entrevistou Firmino:
_ Como você se sente sendo o centro das atenções nessa festa linda? (continua após a publicidade)
_ Oinc! – respondeu.
_ Ronc! É muito glamour! – disse a influencer, que encerrou a entrevista com seu bordão habitual, não sem antes demonstrar um porcoguês fluente.
Assim que publicada a entrevista, o engajamento foi automático e a influencer ganhou 20 mil novos seguidores na sua página do Instagram.
Firmino também apareceu na coluna social de um jornal da cidade e foi a das matérias mais lidas.
Diante da notoriedade do bichinho, busquei na internet informações sobre porcos e encontrei uma pesquisa conjunta entre as maiores universidades do mundo, que comprova que um porco de 16 meses tem o mesmo desenvolvimento intelectual de um jovem de 16 anos e um porco de 44 meses tem a carne mais macia e maior inteligência emocional que um homem de 44 anos. São fatos científicos e não conjecturas.
Essa pesquisa foi usada como base pela legislação eleitoral brasileira para permitir que, em alguns casos específicos, os porcos adquiram direitos políticos. Confesso que eu já votei em alguns.
Firmino terá 20 meses nas eleições municipais de 2024, o que o torna apto para votar e ser votado. Com o sucesso nas poucas aparições públicas que fez, Firmino deve se lançar candidato a vereador no ano que vem.
Para aumentar a popularidade de Firmino, sábado estive com ele no calçadão do Centro e novamente foi um sucesso. Firmino brincou com crianças, apertou a mão de idosos e até ajudou na limpeza da rua, comendo alguns restos de comida jogados pelo chão (ele adora pastel e paçoquinha).
Nessa nossa andança, Firmino parou em frente a uma senhora que estava sentada na calçada sobre um pano quadriculado. Uma cigana cega que passou as mãos pelo rostinho tenro do porco.
_ Posso ler sua sorte?
_ Ronc, ronc! – concordou Firmino.
_ Vejo que você terá muitos filhos. Uma família muito gigantesca.
_ Safadão! – cutuquei meu amiguinho, que prestava atenção na cigana. Nem ele, nem a cigana deram atenção para minha brincadeira.
_ E será gente influente. Vejo filhos de Firmino como médicos, empresários, professores universitários, líderes religiosos e, muitos, mas muitos juristas. – os olhinhos de Firmino brilharam com as palavras da cigana.
_ Porcos para todos os lados. Que maravilha! E a senhora acha que Firmino tem chance de se eleger nas eleições do ano que vem? – eu perguntei.
_ Será eleito. Teremos um porco na Câmara Municipal (ouviram-se aplausos). E o futuro é promissor.
Firmino estará na Prefeitura e Assembleia Legislativa, no curto prazo. Voos maiores o esperam em Brasília, a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e a Presidência da República.
_ Uiiinnn! Uinnn! – gritou o excitado animal.
_ E na Presidência da República, Firmino nomeará Porcos para o Supremo Tribunal Federal, Procuradoria Geral da República, ministérios e estatais. Será um novo Brasil.
Firmino ficou emocionado e, sobre duas patas, me abraçou:
_ O futuro é seu, Porco Firmino. – eu disse.
Ele me respondeu de uma forma que me arrancou lágrimas:
_ Oinc! Oinc!
PS: nenhum dos fatos acima é real, o leitor eleitor não precisa apoiar e votar em porcos.






