Opiniões

O dia (a semana e o mês) seguinte no Litoral Norte

Diz a previsão do tempo que, nas próximas semanas, as chuvas diminuirão na região. É aí que mora o problema. Se, por um lado, a população do Litoral Norte de São Paulo deixa de correr riscos como os do recente excesso de chuvas – que provocou desabamentos, enchentes e mortes – pode também ocorrer o arrefecimento nas providências reparadoras da região. É habitual, no Brasil, governos, autoridades e a solidariedade popular se fazerem presentes na hora da tragédia e, passada a fase aguda, cada qual retornar aos seus lugares e a população permanecer sem perspectivas e a mercê do próximo acidente do gênero. São dezenas os exemplos disso nas diferentes regiões, especialmente naquelas em que as encostas foram ocupadas e frequentemente surgem novas e precárias moradias.

Os governos estadual, federal e dos municípios atingidos – Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba – realizaram grande mobilização na procura de vítimas e socorro aos desabrigados. Também realizam obras de emergências para a desobstrução de vias de acesso e outras providências de segurança. O governador Tarcísio Freitas passou dias na região, cuidando pessoalmente do socorro. O presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin compareceram e anunciaram o socorro federal. É preciso, agora, a região continuar mobilizada para a concretização dos empreendimentos.

Aventou-se até a hipótese de socorrer os desabrigados em moradias populares já prontas em Bertioga – outro município da região – mas parece não ter havido acordo. Terrenos já foram destinados à desapropriação e estuda-se a forma mais rápida de construção das casas para abrigo dos desalojados. O governo estadual prepara a adoção de esquemas de sirenes e outros meios de segurança já empregados nas áreas de risco do Rio de Janeiro, assim como o melhor monitoramento das chuvas na região. É preciso que tudo funcione e cada ente dessa obra cumpra a sua parte antes da próxima estação chuvosa.

O Litoral Norte sofre o mesmo processo de ocupação irregular das encostas conhecido em diferentes pontos do país. As moradias, muitas delas precárias, são construídas em áreas íngremes e podem ser soterradas pela queda de barreiras ou cair sobre outras situadas mais abaixo. O mais indicado é removê-las e colocar a população em locais seguros, além de realizar trabalhos de contenção que evitem os deslizamentos. Tudo isso é caro e demorado, mas tem de ser feito para evitar a continuação dos acidentes e do sofrimento da população.


É de se esperar que todas as ações sejam realizadas de forma a devolver a estabilidade aos solos serranos da região e, principalmente, a segurança da população. A presteza dos atendimentos durante os dias do sinistro nos induz a acreditar que as verbas prometidas pelos governos sejam o mais rápido possível liberadas e as obras comecem no menor prazo possível. Essa é a postura que toda a sociedade espera dos seus governos e dos governantes que são trocados a cada quatro anos. O Litoral Norte paulista, área de bonitas praias e de laser precisa voltar à normalidade e, de preferência, nunca mais sair da estabilidade que tradicionalmente atrai milhares de turistas para ali descansar.

A previsão de cessarem as chuvas é que, no final do mês entrará El Niño, a influência climática trazida pelos ventos do Oceano Pacífico para a América do Sul, que provoca calor e tempo seco. Até agora estamos sob La Niña que é o contrário, chuvosa e fria. O nome El Niño (o menino, traduzido do espanhol) foi dado porque o fenômeno foi identificado próximo ao Natal, em Lima – capital do Peru. O menino aludido é Jesus. Que Ele ilumine nossos governantes!

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

É dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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