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Após ser protagonista na eleição, Nordeste domina enredos no Carnaval da Sapucaí

ALÉXIA SOUSA

Do Sertão à Baía de Todos os Santos, a passarela do samba vai levar o Carnaval do Rio rumo ao nordeste do Brasil. Neste ano, metade dos 12 desfiles das escolas de samba Grupo Especial sai em busca do título carioca com enredos que exaltam a cultura, o povo e os estados nordestinos. Para os artistas que assinam o espetáculo popular, a volta dos olhares para a região é o reflexo do debate político-social que colocou o Nordeste como uma das figuras centrais do mais recente processo eleitoral do país.

Segundo maior colégio eleitoral do país, a região foi mais uma vez decisiva na eleição que deu a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seu terceiro mandato à frente da Presidência da República, em 2022. O petista levou vantagem contra Jair Bolsonaro (PL) apenas em seu reduto. No resto do país, o domínio foi de Bolsonaro, embora não tenha alcançado diferença tão larga quanto a de Lula no Nordeste.

“O Carnaval reflete o pensamento comum dos artistas, das comunidades, daquilo que a gente vive. E o Nordeste está em sua máxima. Não foi à toa que o Carnaval reverberou essa pauta, acho que foi um sentimento comum das escolas de olhar para a cultura que é muito latente nessa região. Para além disso, a gente viu uma virada de chave acontecer na política do nosso país em que a contribuição do povo nordestino foi bem decisiva. A gente não podia deixar isso passar despercebido”, disse o carnavalesco Marcus Ferreira, que faz sua estreia na Mocidade Independente de Padre Miguel.

Neste ano, a escola vai ao Alto do Moura, maior centro de artes figurativas das Américas, em Caruaru (PE) para contar a história de Mestre Vitalino e dos artistas que o sucederam. Na apresentação, chapéus de cangaceiro e sombrinhas de frevo prometem se misturar entre as fantasias em verde intenso e brilhoso — marca registrada da Mocidade.

“Não há nada mais sagrado para o nordestino do que o chão que se pisa. Por isso, o enredo foi batizado de ‘Terra De Meu Céu, Estrelas De Meu Chão'”, complementa Ferreira.

Em 2019, apenas a União da Ilha e o Paraíso do Tuiuti tiveram temas que faziam menção à cultura do Nordeste. No ano seguinte, a Unidos do Viradouro contou a história do grupo Ganhadeiras de Itapuã, que surgiu das lavadeiras do litoral baiano. Já na volta dos desfiles de Carnaval pós-pandemia, em 2022, a narrativa negra dominou os enredos, e não houve referências à temática nordestina.

Conhecido por produzir desfiles políticos, Leandro Vieira corrobora com a ideia de que as escolas de samba sejam uma espécie de radar do povo.

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